Durante a convenção da federação União-Progressistas, realizada em São Paulo, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez uma série de gestos políticos ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). A movimentação procura reduzir a tensão criada quando Flávio tentou se afastar de Nogueira após as repercussões do caso Banco Master.
A aproximação tem objetivo claro: atrair o apoio formal do PP e, sobretudo, garantir que a legenda indique o nome que integrará a chapa presidencial como vice. Com isso, o cenário interno ganhou novos contornos e reposicionou os favoritos ao posto.
Dentro do PL, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, conta com simpatia de Flávio, mas encontra resistência de caciques tanto do próprio partido quanto do Republicanos. A sigla para a qual Daniella se filiou recentemente cogita manter neutralidade nas eleições e avalia que oferecer a vice a uma recém-chegada não entregaria o capital político desejado. Dirigentes também argumentam que o perfil técnico da economista, embora bem visto pelo setor empresarial, não agregaria votos junto ao eleitorado popular.
Ao mesmo tempo, a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) volta a despontar nos bastidores. A parlamentar é apontada como potencial ponte com o eleitorado feminino e religioso, segmentos em que Flávio enfrenta maior rejeição desde o atrito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Marquetto promove peregrinações e incentiva rotas de turismo religioso no Nordeste, atuação considerada um trunfo eleitoral pelos estrategistas.
“Grande amiga que a caminhada da vida pública me deu, está escalada nesse time para ajudar em qualquer posição que for preciso”, declarou Flávio Bolsonaro ao saudar Simone Marquetto perante os correligionários.
Nos corredores, líderes do PP enxergam o gesto como sinal de que o senador deseja selar um acordo amplo. Ciro Nogueira, até então reticente, reagiu com aplausos discretos, mas evitou compromissos públicos. Assessores próximos avaliam que, caso o PP receba a vaga de vice, a aliança poderia se estender a coligações estaduais, ampliando o tempo de propaganda na televisão e no rádio.
Diante desse quadro, o cronograma de definição permanece aberto. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), reforçou que a escolha não deverá ser oficializada no principal evento do PL, marcado para São Paulo, neste sábado.
“Trabalhamos com o prazo legal do dia 5 de agosto. Até lá, vamos avaliar todas as composições possíveis”, afirmou Marinho.
Até a data-limite estipulada pela Justiça Eleitoral, Flávio precisará demonstrar habilidade na costura de apoios. A força de Marquetto cresce, mas depende da disposição do PP em formalizar o acordo. Ao mesmo tempo, a ala ligada ao mercado insiste em Daniella Marques, alegando que sua experiência econômica transmitiria segurança aos investidores. Nas próximas semanas, negociações sobre palanques regionais, orçamento de campanha e tempo de mídia devem pesar na balança.
A decisão final se tornou o principal termômetro da capacidade de articulação de Flávio Bolsonaro. O vice que será anunciado — ou a ausência de consenso — indicará até que ponto o pré-candidato conseguiu pacificar aliados e transformar acenos em apoios concretos na corrida ao Palácio do Planalto.
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