A expectativa pela Copa do Mundo serviu de ponto de partida para uma aula diferente nas turmas finais do Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte. Aproveitando o clima de seleção e disputa por cromos, a professora e advogada Ingrid Castor realizou, ainda no primeiro semestre, a atividade batizada de “Escalação da Democracia”.
A iniciativa surgiu quando um estudante perguntou se a classe seria liberada para assistir à divulgação dos convocados. Percebendo o entusiasmo em torno do torneio, a docente decidiu transformar o interesse em aprendizado sobre a Constituição Federal. Ela concebeu um álbum de figurinhas que, no lugar de craques do futebol, trazia 15 direitos fundamentais: educação, saúde, igualdade, liberdade, segurança, meio ambiente equilibrado, entre outros.
As figurinhas foram distribuídas aleatoriamente e os alunos precisaram trocá-las para completar o álbum, imitando a dinâmica que já conheciam. O processo de escambo incentivou diálogo, negociação e colaboração, elementos que a professora queria aproximar do conceito de participação cidadã.
“A interação e a cooperação mostraram que a construção da cidadania também acontece coletivamente”, destacou Ingrid Castor.
Quando todos pensavam ter concluído a coleção, veio a surpresa: havia espaço para uma 16ª figurinha. Cada adolescente recebeu então um cartão de convocação acompanhado de um cromo especial com a própria foto. A mensagem era clara — sem a presença ativa de cada pessoa, a democracia não se completa.
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“Quis demonstrar que aqueles direitos não são só conceitos de sala de aula; dependem da participação de cada estudante”, explicou a professora.
O toque personalizado fez sucesso. Os alunos passaram a se chamar de “Legend”, referência às figurinhas douradas famosas entre colecionadores. O apelido serviu de termômetro para medir o engajamento: a atividade não apenas transmitiu conteúdo jurídico, mas também reforçou autoestima e senso de pertencimento.
Segundo a direção da escola, a experiência confirmou que metodologias que conectam cotidiano e currículo fortalecem a aprendizagem. A proposta deve ser adaptada para outros temas ligados à cidadania, sempre com elementos de gamificação e linguagem visual próxima aos interesses dos adolescentes.
Além do conhecimento sobre os direitos, a prática desenvolveu habilidades de escuta, respeito e solidariedade. Ninguém completou o álbum sozinho, reforçando a noção de que a efetivação de direitos, tal qual um campeonato, exige jogo coletivo.
Para Ingrid Castor, a “Escalação da Democracia” provou que é possível trazer temas considerados abstratos para uma realidade concreta e prazerosa. Ao fim, cada estudante levou para casa um lembrete em formato de figurinha: ele ou ela é protagonista da cidadania brasileira.
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