Estratégia envolve criar um 'palanque duplo' progressista no estado. O objetivo é disputar votos de Tarcísio de Freitas e pressionar uma segunda rodada eleitoral em 2026.
Aliados de Márcio França (PSB) têm defendido nos bastidores que o ex-ministro dispute com candidatura própria o governo de São Paulo em 2026. A articulação, ainda embrionária, mira diretamente o eleitorado do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e tem como objetivo principal forçar a realização de um segundo turno.
De acordo com interlocutores, o plano é erguer um “palanque duplo” do campo progressista, reproduzindo a lógica usada na capital paulista em 2024, quando Tabata Amaral (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL) concorreram simultaneamente. Nesse desenho, Márcio França participaria do primeiro turno como opção de centro-esquerda, enquanto Fernando Haddad (PT) permaneceria como nome oficial do PT. Em eventual segunda etapa, França declararia apoio a Haddad.
Estratégias semelhantes foram testadas em eleições municipais recentes e, segundo aliados, acabaram ampliando a capilaridade do segmento progressista em regiões onde o eleitorado demonstra resistência ao PT. Em São Paulo, a leitura é que Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e quadro histórico do PSB, subiria no palanque de França, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoiaria Haddad. A imagem de dois palanques distintos, porém cooperativos, é vista como forma de aumentar a competitividade contra Tarcísio.
O movimento ganhou tração depois que Paulo Serra (sem partido) e Kim Kataguiri (União) desistiram da corrida ao Palácio dos Bandeirantes. Sem eles, o grupo avalia que Tarcísio passa a ter chances concretas de liquidar a fatura já no primeiro turno, cenário considerado preocupante pelos partidos de oposição.
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No círculo próximo a França, há expectativa de que ele funcione como polo de moderação, capaz de dialogar com eleitores de centro e com setores empresariais que demonstram desconforto tanto com Tarcísio quanto com o PT. Esses articuladores sustentam que “puxar” parte do voto moderado pode enfraquecer a base do governador e abrir caminho para Haddad.
Apesar da movimentação, a iniciativa permanece no campo das ideias. Qualquer decisão só será tomada com o aval de Lula e, até o momento, o assunto não entrou de forma oficial na mesa do petista. A hipótese de França integrar a chapa de Haddad como vice segue viva, e o próprio ex-ministro já sinalizou que não rejeitará a oferta caso parta diretamente do presidente.
Nas próximas semanas, dirigentes do PSB pretendem testar a receptividade interna antes de levar a proposta ao PT. A avaliação é de que a legenda de França precisa chegar à mesa de negociação munida de dados que comprovem viabilidade eleitoral, como pesquisas qualitativas mostrando potencial de voto e índice de rejeição abaixo da média.
Mesmo sem martelo batido, a simples discussão sobre dois nomes progressistas na urna paulista já impacta os cálculos de partidos de centro e de direita. Há receio de que uma candidatura de França, somada à de Haddad, fragmente o campo antipetista e comprometa alianças que hoje orbitam em torno de Tarcísio. Enquanto isso, o governador monitora o cenário, ciente de que a eleição, inicialmente apontada como caminho livre para a reeleição, pode ganhar novos contornos caso o plano avance.
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