A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, não alterou a estratégia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mesmo sob intensa pressão de parte da torcida e da crônica esportiva, a entidade manteve Carlo Ancelotti no cargo e reforçou o plano de longo prazo que prevê o italiano à frente da seleção até o Mundial de 2030.
O revés no MetLife Stadium, em Nova Jersey, ocorreu depois de dois gols de Erling Haaland no segundo tempo e expôs fragilidades defensivas da equipe. O resultado aumentou o debate público sobre a necessidade de mudanças, mas a diretoria da CBF sustenta que a alternância frequente de técnicos atrapalhou todo o ciclo anterior. Entre a saída de Tite, no fim de 2022, e a chegada de Ancelotti, em 2025, passaram por interinidades Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, período marcado por tropeços nas Eliminatórias.
Para evitar repetir esse vaivém, a federação blindou o contrato de Ancelotti semanas antes do início da Copa. A decisão garante autonomia total ao treinador para conduzir a reformulação tática e a renovação do elenco. A cúpula do futebol brasileiro entende que a campanha aquém do esperado no torneio não basta para interromper o processo, classificado internamente como “início de um novo ciclo”.
Nas redes sociais, porém, a discussão sobre possíveis substitutos continua quente. Torcedores levantaram três nomes com maior repercussão: Jorge Jesus, Abel Ferreira e Renato Gaúcho. O português Jorge Jesus é lembrado pelo trabalho vitorioso no Flamengo em 2019; Abel Ferreira, pelo domínio nacional e continental no comando do Palmeiras; e Renato Gaúcho, pelo carisma, conhece bem a cultura do vestiário brasileiro. Mesmo assim, nenhum deles recebeu sondagem oficial, já que a vaga não está aberta.
A missão imediata de Ancelotti será recolocar a seleção nos trilhos das Eliminatórias Sul-Americanas a partir do segundo semestre de 2026. Além disso, o técnico já estuda substitutos para veteranos prestes a encerrar o ciclo, ao mesmo tempo em que pretende dar protagonismo a jovens revelações para recuperar a competitividade internacional.
Internamente, o diagnóstico sobre a eliminação destaca falhas na marcação aérea e dificuldades de criação contra defesas bem postadas. A comissão técnica vai usar a próxima Data Fifa para testes, enquanto a preparação física passa por avaliação detalhada após a maratona do calendário europeu de vários titulares.
Apesar do gosto amargo deixado pela Copa, a seleção inicia agora um período de quatro anos sem Mundial, cenário considerado ideal para ajustes profundos. A prioridade da CBF é oferecer estabilidade, algo raro desde 2014, e estabelecer modelo de jogo consistente.
O contrato de Carlo Ancelotti, assinado até 2030, prevê metas intermediárias, como a conquista da Copa América de 2028 e a classificação como líder nas Eliminatórias, mas a federação evita estipular “pontos de corte” que possam minar o planejamento. Nos bastidores, dirigentes repetem que a palavra de ordem continua sendo continuidade, independentemente da turbulência momentânea.
Com o foco redirecionado, a expectativa é que a seleção volte a campo na próxima janela de amistosos com novidades na lista de convocados. Os nomes serão divulgados após reuniões entre Ancelotti, observadores técnicos e departamentos de desempenho. Até lá, as especulações sobre mudança de comando devem seguir apenas no terreno das redes sociais.
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