Andy Burnham tomou posse como primeiro-ministro do Reino Unido nesta segunda-feira, 20 de julho, encerrando quase dois anos de governo de Keir Starmer. A cerimônia de transição ocorreu em Downing Street, residência oficial do chefe de governo, onde Burnham foi recebido após Starmer entregar sua carta de renúncia ao monarca.
Starmer fez um pronunciamento de despedida em que agradeceu aos britânicos pela confiança. Ele destacou conquistas sociais e reconheceu desafios econômicos não superados. Em seguida, deixou oficialmente o cargo, abrindo caminho para o correligionário trabalhista.
A troca de comando foi possível porque Burnham havia sido confirmado na sexta-feira, 17 de julho, como novo líder do Partido Trabalhista. Como a legenda detém ampla maioria na Câmara dos Comuns, o protocolo parlamentar dispensa convocar eleições gerais sempre que o posto de premiê fica vago. No sistema britânico, basta que o líder do partido governista seja convidado pelo soberano a formar governo.
“Estamos unidos”, afirmou Burnham em sua primeira fala após assumir a liderança trabalhista. “Quero ser um líder para o norte, o sul, o leste e o oeste”, completou.
Único candidato na disputa interna, Burnham recebeu apoio de todas as alas do partido ao prometer preservar a unidade durante a crise que provocou a saída de Starmer. Ele sinalizou maior intervenção estatal em preços de itens essenciais para conter a inflação — um dos problemas que mais pressionam o custo de vida no país.
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A renúncia de Starmer havia sido anunciada no fim de junho, após meses de pressão política. Embora chegasse ao poder com maioria robusta depois de derrotar os conservadores, o ex-premiê viu sua popularidade cair diante da estagnação econômica. Medidas como aumento de impostos e redução de benefícios para aposentados geraram forte desgaste, enquanto sucessivas controvérsias abalaram a credibilidade de seu governo.
Burnham, que já foi ministro da Saúde e prefeito da Grande Manchester, assume com a missão de estabilizar a economia, reduzir a inflação e manter a coesão partidária. Ele prometeu diálogo com governadores das nações que compõem o Reino Unido para construir uma agenda capaz de beneficiar igualmente Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
Analistas apontam que a nova gestão terá pouco tempo para apresentar resultados antes das eleições locais previstas para 2027. A expectativa é que o novo primeiro-ministro apresente nas próximas semanas um pacote fiscal de estímulo a investimentos em infraestrutura, com foco em transporte regional e energia limpa.
A presença de figuras experientes no primeiro escalão deve ser anunciada nos próximos dias. Bastidores indicam que Burnham pretende mesclar membros do gabinete anterior e novos nomes que representem diferentes correntes do partido, numa tentativa de evitar atritos internos.
O Reino Unido inicia, assim, um novo capítulo político sob a liderança de Andy Burnham, com atenção redobrada da população para a recuperação econômica e para a condução das políticas sociais que marcaram a campanha trabalhista.
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