O Partido Trabalhista do Reino Unido confirmou nesta sexta-feira, 17, Andy Burnham como seu novo líder, abrindo caminho para que ele assuma o cargo de primeiro-ministro na próxima segunda-feira, 20. A escolha foi praticamente unânime: dos 403 deputados trabalhistas na Câmara dos Comuns, 379 declararam apoio ao ex-prefeito da Grande Manchester, único candidato inscrito na disputa interna.
A transição no comando do governo ocorrerá após a formalização da renúncia de Keir Starmer, que se apresenta ao rei Charles III na segunda-feira. O monarca, então, convidará Burnham a formar um novo gabinete e a liderar o país.
“Vamos devolver a esperança às pessoas. Este é um momento de orgulho para mim e minha família, e estou preparado para ele”, afirmou Burnham em seu primeiro discurso como líder.
Diante de parlamentares e apoiadores, o trabalhista sustentou que seu governo terá três eixos centrais: renovação econômica, geração de empregos industriais de alta tecnologia e maior presença do Estado em serviços considerados essenciais. Ele defendeu que o Reino Unido pagou um preço alto por decisões tomadas “nos anos 1980”, quando o poder político foi centralizado e vastas áreas da economia foram privatizadas.
Burnham declarou que pretende exercer um controle público estratégico sobre o custo de itens básicos, como energia e transporte, com o objetivo declarado de ajudar a conter a inflação. Ainda assim, buscou tranquilizar o setor privado:
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“Serei um líder pró-negócios”, assegurou, argumentando que a estabilidade regulatória é condição para investimentos produtivos.
Outra promessa envolve a expansão da assistência social a idosos, pessoas doentes e cidadãos com deficiência, considerada pelo futuro premiê um passo necessário para “restaurar a dignidade” ao sistema de bem-estar britânico.
No campo partidário, Burnham antecipou movimentos para encerrar rivalidades internas e construir “uma única equipe trabalhista”. Ele descartou tentar rivalizar com o Reform UK, legenda à direita no espectro político, em sua própria agenda. “Não venceremos a nova direita britânica se estivermos consumidos por conflitos internos”, ressaltou.
Em gesto de agradecimento, Burnham elogiou Keir Starmer por ter conduzido o partido “de sua pior derrota a uma de suas maiores vitórias”. Starmer permanece no cargo até segunda-feira, garantindo uma transição considerada organizada pelos trabalhistas.
Com a confirmação do novo líder, o país volta a direcionar atenções para o pronunciamento de Burnham logo após a audiência com o rei. A expectativa é que ele divulgue os principais nomes do gabinete e detalhe medidas de curto prazo para estimular o crescimento e estabilizar preços, temas que dominaram o debate durante o processo de sucessão interna.
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