Lamine Yamal desembarcou na Copa do Mundo de 2026 como promessa do Barcelona e do futebol europeu. Saiu, neste domingo (19), consagrado como um dos protagonistas de uma nova geração, após ajudar a Espanha a erguer o segundo troféu mundial de sua história. Em plena decisão diante da Argentina de Lionel Messi, o atacante de 19 anos e seis dias tornou-se o quarto jogador mais jovem a conquistar o torneio, igualando o brasileiro Coutinho e ficando atrás apenas de Pelé, Ronaldo e Giuseppe Bergomi, segundo a Fifa.
A final ganhou contornos simbólicos. De um lado, Messi se despediu do maior palco do futebol; do outro, o garoto que, ainda bebê, fora fotografado nos braços do craque argentino em uma ação beneficente do Barcelona, em 2008. Dezoito anos depois, os dois dividiram o gramado em lados opostos. Coube a Yamal sorrir ao apito final, confirmando a transição de gerações em pleno campo.
O caminho espanhol até o título começou com altos e baixos na fase de grupos. A equipe empatou sem gols com Cabo Verde, goleou a Arábia Saudita e bateu o Uruguai, garantindo a liderança da chave. No mata-mata, exibiu evolução: superou a Áustria com folga, eliminou Portugal nas oitavas, venceu a Bélgica nas quartas e despachou a França por 2 a 0 na semifinal, mostrando consistência e repertório ofensivo.
A decisão no Estádio Metropolitano, em Nova York, foi travada. A marcação cerrada da Argentina dificultava a circulação de bola da seleção comandada por Luis de la Fuente. A definição veio, tal qual em 2010, na prorrogação. Ferrán Torres apareceu entre os zagueiros e concluiu cruzamento rasteiro para garantir a vitória espanhola, sacramentando a campanha que recolocou o país no topo do futebol mundial.
Mesmo sem marcar na final, Yamal foi determinante em todo o torneio. Partiu dele a maioria das escapadas ofensivas, assistências decisivas e dribles que desmontaram defesas. A personalidade do jovem atacante contrastou com a pressão típica de uma Copa: ele pediu a bola, arriscou e insistiu, postura que o transformou em nome recorrente nas jogadas de perigo da Fúria.
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Nascido em Rocafonda, bairro de Mataró, a 30 km de Barcelona, o atacante carrega as origens com orgulho. Sempre que balança as redes, ergue as mãos formando “304”, referência ao CEP local. Filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, ele cresceu em um conjunto habitacional simples observando os esforços dos pais em múltiplos empregos. A vivência fora das quatro linhas moldou caráter e resiliência, sobretudo diante de episódios de racismo e islamofobia. Muçulmano praticante, Yamal nunca escondeu a fé e transformou situações adversas em combustível competitivo.
A fotografia de 2008 entre Messi e o bebê Lamine ganhou novo significado nesta Copa. O retrato, outrora curioso, tornou-se símbolo de passagem de bastão. Se Messi consolidou um legado de quase duas décadas, Yamal abriu o dele com taça nas mãos e o horizonte de quem pode dominar o esporte nos próximos anos.
O título confirma não apenas a qualidade individual do camisa 19, mas também o trabalho de renovação iniciado com a conquista da Euro de 2024. A Espanha encerrou o Mundial com a defesa menos vazada, meio-campo dinâmico e ataque jovem. A combinação fez o país reviver a alegria de 2010 e projetar um ciclo vencedor comandado pela nova joia de Rocafonda.
Assim, a noite de 19 de julho de 2026 já entra na história: marca o ponto final da trajetória de um dos maiores de todos os tempos e o pontapé inicial de quem promete ser protagonista da próxima década.
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