Uma reviravolta movimentou o Capitólio na noite de quarta-feira, 25/06. Menos de 24 horas depois de aprovar, por 50 a 48, uma resolução que obrigaria o presidente Donald Trump a buscar aval do Congresso para prosseguir com operações militares contra o Irã, o Senado americano voltou ao plenário e rejeitou proposta praticamente idêntica, desta vez por 50 a 47, com um voto “presente”.
O recuo ocorreu após um almoço tenso entre Trump e a bancada republicana. A reunião, a portas fechadas, transformou-se em palco de confronto verbal entre o presidente e o senador Bill Cassidy (Louisiana), um dos quatro republicanos que haviam apoiado a medida na terça-feira, 24/06.
“Eu me levantei e disse: ‘Você não contou ao povo americano o que está acontecendo. Era para durar quatro semanas, já dura quatro meses. Nossos objetivos originais não foram alcançados e eu quero saber o que está acontecendo’”, relatou Cassidy a jornalistas ao deixar o encontro.
Segundo senadores presentes, a troca de palavras escalonou quando Trump classificou Cassidy de “lunático”. O parlamentar respondeu que não se deixaria intimidar, tentando, em determinado momento, amenizar o clima ao chamar o presidente de “meu irmão”. Nada disso impediu que a temperatura subisse.
Horas depois, Cassidy foi à Casa Branca para um briefing reservado sobre o conflito, acompanhado de auxiliares da administração e do vice-presidente JD Vance. A conversa, descrita como “detalhada”, pareceu suficiente para que ele alterasse sua posição. Ao retornar ao Senado, votou contra a resolução que antes apoiara.
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Com a mudança, apenas Susan Collins (Maine) e Lisa Murkowski (Alasca) mantiveram o voto favorável. Rand Paul (Kentucky), que havia sustentado o sim, desta vez registrou “presente”, opção que não conta nem como apoio nem como rejeição, dando margem extra ao governo.
O líder da maioria, John Thune, informou que Trump ficou “satisfeito” com o resultado. Pouco depois, o próprio presidente celebrou nas redes sociais, afirmando que o placar “envia um aviso ao Irã” e fortalece sua posição nas negociações.
Embora resoluções de poderes de guerra raramente tenham efeito prático — presidentes costumam contestá-las alegando prerrogativas constitucionais —, o episódio evidenciou fissuras internas entre republicanos que enfrentam eleitorados competitivos e outros mais alinhados ao Executivo.
A tensão também desviou o foco de temas caros à legenda, como inflação e projeto de lei eleitoral, justamente em ano de midterms. Para analistas, a cena reforça um padrão: a pressão pessoal de Trump sobre correligionários costuma surtir efeito imediato, ainda que o debate sobre o Irã prossiga sem solução definitiva.
No balanço final, Cassidy justificou que continua “preocupado com transparência”, mas considerou ter obtido as respostas que buscava. A vitória simbólica deu ao governo alívio político e demonstrou que, por enquanto, a liderança presidencial no Partido Republicano permanece firme.
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