A prefeita Emília Corrêa anunciou a proibição da publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos de Aracaju. Essa medida coloca a capital sergipana em destaque no debate sobre os impactos sociais das apostas no Brasil. O veto, oficializado por decreto, atinge anúncios em áreas sob responsabilidade do município, tornando Aracaju a primeira capital do Nordeste a adotar essa restrição, seguindo o exemplo de cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
De acordo com a prefeita, a decisão visa conter os efeitos sociais negativos associados ao crescimento das apostas esportivas, principalmente entre as populações mais vulneráveis. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Emília Corrêa comparou a situação atual com o passado, quando as propagandas de cigarro eram amplamente veiculadas. “Hoje, quando olhamos para trás, essa decisão parece óbvia. Eu acredito que estamos vivendo um momento muito parecido”, afirmou.
A gestora enfatizou que a presença constante de propagandas de apostas esportivas na sociedade é alarmante. “Nunca estivemos tão cercados por propagandas de apostas esportivas. É o tempo todo: na televisão, nas redes sociais, nos estádios de futebol, com influenciadores”, declarou. Para ela, essa constante exposição cria uma falsa percepção de que ganhar dinheiro é fácil. “A mensagem é sempre a mesma: que ganhar dinheiro é fácil, que basta fazer uma aposta, mas a vida real não funciona assim”, destacou.
Emília Corrêa alertou que esse problema vai além das questões econômicas, afetando diretamente a estrutura familiar. “O que começa como uma brincadeira pode acabar se transformando em um vício, e esse vício é uma doença que destrói famílias, compromete a saúde mental, provoca endividamento e rompe relacionamentos”, disse.
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“Pessoas que começaram apostando pequenos valores e, quando perceberam, já estavam usando o dinheiro do aluguel, da feira, da prestação da casa. Dinheiro que deveria estar comprando comida, remédio, material escolar acaba indo embora na ilusão do ganho fácil, e quem mais sofre com isso são justamente as famílias mais vulneráveis”, afirmou a prefeita.
Apesar da restrição, Emília Corrêa deixou claro que a medida não interfere na liberdade individual de apostar. “Nós não estamos proibindo ninguém de apostar. O cidadão é livre. O que estamos dizendo é que o poder público não pode incentivar uma atividade que tem provocado tantos impactos sociais”, explicou.
Ela também ressaltou a importância do espaço urbano como um ambiente coletivo. “As ruas da nossa cidade pertencem às famílias, às crianças, aos trabalhadores. Não faz sentido que o espaço público seja utilizado para estimular um comportamento que pode levar ao adoecimento e ao endividamento”, afirmou.
Por fim, a prefeita reforçou o caráter preventivo da decisão. “Governar também é proteger, é perceber um problema antes que ele se torne maior. A liberdade econômica não pode estar acima do direito das famílias de viverem com tranquilidade e segurança”, concluiu.
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