O árbitro brasileiro Raphael Claus, de 46 anos, voltou a ser centro das atenções após ter sido publicamente criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista concedida nesta segunda-feira (06/07) na Casa Branca. O mandatário norte-americano contestou a expulsão do atacante Folarin Balogun na vitória dos EUA por 2 a 0 sobre a Bósnia, durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.
Natural de Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista, Claus concluiu o curso de formação da Federação Paulista de Futebol (FPF) em 2002. Desde 2008, atua em partidas profissionais, passando a integrar em 2010 o quadro nacional da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Reconhecido pela consistência técnica, o paulista soma dez finais de Campeonato Paulista e duas decisões de Copa do Brasil – 2019 e 2024 – além de presença frequente em confrontos decisivos do Campeonato Brasileiro.
Esta é a segunda Copa do Mundo da carreira do árbitro. No Qatar, em 2022, ele apitou Inglaterra 6 x 2 Irã e Canadá 1 x 2 Marrocos. Na edição atual, Claus comandou Espanha 4 x 0 Arábia Saudita e o polêmico EUA 2 x 0 Bósnia, duelo que terminou com a expulsão direta de Balogun após revisão do VAR. O currículo internacional também inclui jogos no Mundial de Clubes de 2025.
Trump não poupou palavras ao comentar o lance que tirou Balogun das oitavas de final contra a Bélgica, programadas para acontecer nesta segunda-feira. O presidente afirmou que solicitou pessoalmente ao dirigente máximo da Fifa, Gianni Infantino, a revisão do cartão vermelho.
“Esse árbitro, que é um pouco suspeito, se você verificar o histórico dele… Não quero criar polêmicas, mas é muito suspeito”, declarou Trump aos jornalistas.
Em outro momento da entrevista, Trump reforçou que não pediu a anulação automática da punição, mas cobrou esclarecimentos sobre a decisão.
“Pedi uma revisão porque não achei que tivesse sido falta. Tudo o que fiz foi pedir uma revisão; não disse que eles tinham que fazer isso”, frisou.
De acordo com o regulamento, a expulsão automática deixa Balogun fora do confronto contra os belgas, marcado para a tarde desta segunda, salvo decisão diferente do Comitê Disciplinar da Fifa. Até a noite de ontem, a entidade mantinha a suspensão.
Apesar das críticas, dirigentes brasileiros ouvidos reservadamente afirmaram que Claus segue bem avaliado nos testes técnicos e físicos da Fifa e deve permanecer elegível para partidas decisivas da competição.
Em meio à polêmica, especialistas em arbitragem recordam que, por padrão, o árbitro só intervém com cartão vermelho direto quando identifica uso de força excessiva ou conduta violenta. Nas redes sociais, torcedores dividem opiniões: enquanto alguns defendem a decisão de Claus, outros consideram o cartão exagerado.
Com a repercussão internacional, a trajetória de Raphael Claus ganha novos holofotes. A permanência dele nas fases seguintes da Copa dependerá da avaliação do Comitê de Arbitragem da Fifa, que tradicionalmente reduz o número de árbitros à medida que o torneio avança.
Independentemente do desfecho do pedido norte-americano, o episódio reforça a pressão cada vez maior sobre a equipe de arbitragem em competições de nível mundial, especialmente quando decisões em campo chegam ao mais alto escalão da política.
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