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Comentários infelizes


Publicado 11 de janeiro de 2021 às 07:09     Por José Medrado     Foto Arquivo Pessoal

Li aqui no AjuNews que o ministro da Justiça, André Mendonça, disse em seu Twitter neste domingo (10) que irá pedir a abertura de um inquérito policial contra jornalistas. “Ruy Castro publicou na Folha a coluna ‘Saída para Trump: matar-se’. Segundo ele, a única forma do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrar para a história como herói é se matando, como fez Getúlio Vargas no Brasil. Ele ainda diz que ‘se Trump optar pelo suicídio, Bolsonaro deveria imitá-lo’, onde houve também replicação pelo jornalista Ricardo Noblat”.

Naturalmente, por formação individual e por minha religião, não vejo o menor sentido, até penso ser de uma infelicidade sem tamanho alguém sugerir, ainda como retórica, o suicídio de outrem. O número de suicídios têm impactado tão fortemente os órgãos internacionais, por força do seu crescimento, de forma que estudiosos do comportamento humano têm se posicionado de que não restam dúvidas: estamos diante de um grave problema de saúde pública.

No Brasil, cerca de 12 mil pessoas tiram a própria vida por ano, quase 6% da população. No mundo, são cerca de 800 mil de suicídios anuais. Ainda, no mundo, as notificações apontam para um suicídio a cada 40 segundos. No Brasil, a cada 46 minutos uma pessoa tira a própria vida. Uma realidade devastadora quando se identifica o perfil das vítimas brasileiras: a maioria é homem, negro, com idade entre 10 e 29 anos, segundo dados do Ministério da Saúde avaliados nos últimos quatro anos e divulgados numa pesquisa em 2018.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o campeão mundial em casos de transtorno de ansiedade e ocupa o segundo lugar em transtornos depressivos, que podem levar ao suicídio. O Brasil é o país que mais registra transtornos de ansiedade e o segundo no ranking mundial de transtornos depressivos. Por tudo isso, além, naturalmente, dos dramas que vivem as famílias, em sues processos de culpa e indagações sempre presentes: Por quê? Por que não falou nada, não buscou ajuda? Fica claro que é um drama que não se deve banalizar, posto necessita, isto sim, de atenção de todos para a diminuição dessa escalada de morte pelo suicídio.

Por outro lado, e por fim, não entendo o posicionamento do ministro da Justiça com o tal pedido de abertura de inquérito, envolvendo a infeliz sugestão dos jornalistas Castro e Noblat. O pedido dos jornalistas terá que efeito prático para o presidente da República? Claro que nenhum. Já pensou se tudo que as pessoas pedissem, sugerissem às autoridades fazerem fosse levado à ponta de faca…



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