Opinião


‘Não Olhe para Cima’ : Negacionismo e ideologias são comparados ao Brasil


Publicado 02 de janeiro de 2022 às 12:27     Por Larissa Barros Editado por Peu Moraes     Foto Divulgação / Netflix

O novo filme de ficção científica da Netflix “Não Olhe para Cima” virou assunto nas redes sociais e tem rendido diversas comparações por causa das sátiras políticas e das quantidades de estereótipos sociais. Sem dúvida, uma das mensagens mais fortes do filme é que as pessoas preferem “fechar os olhos” ao invés de enxergar a situação devastadora que pode estar a sua frente, sendo levado então por ideologias políticas, interesses econômicos e negacionismo.

Em meio as previsões de que o mundo acabará em 2022, o cineasta e roteirista Adam Mckay resolveu dar uma nova cara ao subgênero de catástrofes globais, um dos mais queridos da indústria cinematográfica hollywoodiana.

Na trama, dois astrônomos chamados Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) descobrem que um cometa mortal está vindo em direção o planeta Terra. Durante as tentativas de alertar o governo dos Estados Unidos e a Nasa sobre a possível tragédia que acontecerá em seis meses, eles enfrentam descaso, negacionismo, e uma corrida que mostra exatamente a sociedade do espetáculo.

Tomada pela estupidez e interesses próprios acima do país, a personagem de Meryl Streep, Janie Orlean é uma presidente com um grande histórico de polêmicas, tanto na carreira política quanto na vida pessoal. A governante apenas toma atitudes sobre o cometa após perceber que seria uma boa maneira para se autopromover. Mas, indo em direção contrária daquela que poderia salvar a humanidade, ela prioriza o capitalismo predatório e põe aqueles que a elegeram em risco de extinção.

Vestindo a cor do partido Republicano e com atitudes comparadas ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, há quem diga que a personagem também traz características do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL). Ambos lidaram com a pandemia do novo coronavírus de forma negacionista e colocando acima de todos as próprias opiniões e ideologias.

No caso do Brasil, o chefe do Executivo foi contra as descobertas de cientistas e trocou o titular do Ministério da Saúde quatro vezes durante a crise sanitária. O motivo das duas primeiras trocas foi o mesmo: não está alinhado com as ideologias presidenciais. Essas comparações foram expostas por internautas por meio das redes sociais.

Os assinantes da plataforma de streaming no Brasil conseguiram achar também outras semelhanças do país com o filme. Uma das situações é quando a cientista Kate Dibiasky fica indignada ao ver o jornal tratar a notícia do asteroide de maneira leve, quando era preciso cobrar uma atitude do governo.

Apesar de não ser a mesma situação, algo parecido aconteceu com a microbiologa Natalia Pasternak, que se exaltou e ficou indignada com uma reportagem que usava humor para falar sobre as pessoas que ainda não usam máscara para proteção contra a covid-19.

Sem manter diálogo, ou ter uma conversa clara com o povo, os astrônomos do filme, assim como os cientistas na vida real durante o período da pandemia tiveram estudos desacreditados, e sofreram diversas críticas, que colocaram a vida de todos em perigo.

O filme ‘Não Olhe para Cima’ serve para dar algumas risadas enquanto comparamos a sociedade e ações do longa-metragem com a nossa atual realidade, no entanto, longe de asteroides, mas cada vez mais perto do espetáculo.



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