Kiev voltou a ser alvo de uma ofensiva russa na madrugada desta segunda-feira (6). A capital ucraniana foi sacudida por uma sequência de explosões provocadas pelo lançamento de 68 mísseis e 351 drones, segundo as autoridades locais. O impacto mais severo atingiu um bloco residencial de vários andares, onde parte dos pisos superiores desmoronou, escancarando uma cratera na fachada.
O balanço oficial divulgado até o início da manhã apontou 14 mortos e mais de 60 feridos na cidade e na região metropolitana. Entre as vítimas, há moradores que dormiam quando os projéteis atravessaram as janelas, estilhaçando o vidro e espalhando destroços pelos apartamentos.
“Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes”, relatou Oleksandr Bakhlukov, de 68 anos, morador do distrito de Podilski.
O presidente Volodymyr Zelensky usou as redes sociais para renovar o apelo por sistemas de defesa aérea mais avançados. O líder enfatizou a necessidade de reforçar o arsenal de interceptadores Patriot, capazes de deter mísseis balísticos, categoria de armamento empregada pela Rússia no ataque de hoje.
“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, escreveu Zelensky.
A nova onda de bombardeios ocorre um dia antes do início da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, marcada para terça-feira (7) em Ancara, Turquia. O encontro deverá reunir chefes de Estado e autoridades de defesa para discutir a guerra que começou em fevereiro de 2022.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja um encontro com Zelensky à margem do evento, além de uma conversa reservada com o presidente russo, Vladimir Putin, para debater caminhos de pacificação.
Em Moscou, o Ministério da Defesa reivindicou um “ataque em larga escala” contra instalações do complexo militar-industrial e estruturas de energia em território ucraniano. Do lado ucraniano, equipes de resgate continuavam vasculhando os escombros em busca de sobreviventes, enquanto autoridades de Vyshneve, subúrbio de Kiev, ordenaram a evacuação de moradores devido ao risco de munições não detonadas.
A ofensiva também teve reflexo na Crimeia. O governador designado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, relatou um apagão em Sebastopol após explosões atingirem uma subestação de energia.
A União Europeia reagiu por meio da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, que qualificou o episódio como prova da “urgência” em ampliar o suporte antiaéreo à Ucrânia. Enquanto isso, Kiev alega ter derrubado a maior parte dos drones e mísseis de cruzeiro, mas admite falta de interceptadores suficientes para neutralizar projéteis balísticos.
Desde o início da invasão, há mais de quatro anos, a Rússia mantém a estratégia de lançar enxurradas de mísseis e drones contra centros urbanos ucranianos. O conflito já é considerado o mais letal no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
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