Pelo menos 30 pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas após a ofensiva de drones e mísseis que atingiu Kiev na madrugada de quinta-feira, 02/07. Autoridades ucranianas classificaram essa investida como o maior bombardeio contra a capital desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, foram disparados 496 drones e 74 mísseis entre a noite de quarta e a manhã de quinta. Os sistemas de alerta soaram durante horas, forçando a população a buscar abrigo no metrô e em porões improvisados. O serviço subterrâneo de Kiev informou que cerca de 52 mil pessoas — incluindo 4,5 mil crianças — passaram a noite dentro das estações, o maior contingente desde o início da guerra.
“Nunca tinha ido para um abrigo, mas hoje fiz isso pela primeira vez”, relatou Karina Taran, 25 anos, que se escondeu com o filho após ouvir as explosões. “Peguei meu filho e simplesmente corri para o abrigo. Só saí na manhã seguinte.”
Os serviços de resgate localizaram mais três corpos nos escombros na manhã de sexta-feira, elevando o total de vítimas fatais para 30. O chefe da administração militar da cidade, Tymur Tkachenko, havia divulgado anteriormente 27 mortes e 91 feridos.
Enquanto lida com recursos antiaéreos limitados, a Ucrânia também intensificou ataques contra alvos estratégicos em território russo, especialmente no setor petrolífero. Moscou, por sua vez, assumiu a autoria dos bombardeios em Kiev e afirmou ter mirado “empresas da indústria militar e instalações energéticas”, alegando resposta a supostos ataques ucranianos contra infraestrutura civil russa.
“A Rússia ataca exclusivamente alvos civis para obrigar a Ucrânia a renunciar ao seu Estado. Isso não acontecerá”, declarou o presidente Volodimir Zelensky, prometendo represálias e cobrando dos Estados Unidos licença para produzir mísseis Patriot em solo ucraniano.
Zelensky também pediu aos aliados que acelerem o envio de defesas aéreas durante a cúpula da Otan, marcada para a próxima semana na Turquia. Em Washington, um alto funcionário afirmou que o presidente Donald Trump deseja um acordo de paz para pôr fim às “matanças sem sentido”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o bombardeio. Por meio de porta-voz, destacou que ataques a civis e a infraestrutura civil “constituem clara violação do direito internacional humanitário”.
Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko decretou luto oficial nesta sexta-feira “em memória das vítimas do ataque mais massivo do inimigo contra a capital”. Muitos moradores que voltaram aos apartamentos encontraram prédios parcialmente destruídos.
“Metade do prédio está destruída e o telhado já não existe”, contou Sabina Mambetova, 32 anos, que havia deixado Kramatorsk para se refugiar na capital. “Já houve muitos ataques antes, mas nunca assim; é um verdadeiro pesadelo.”
O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, declarou que continuará “aumentando a pressão sobre o regime de Kiev” até atingir seus objetivos, comentário feito após a União Europeia sinalizar novas sanções a Moscou.
Com o cenário diplomático travado e a escalada bélica em curso, a população de Kiev vive sob sirenes constantes, alternando a rotina entre trabalho, escolas e a corrida urgente aos abrigos. Quatro anos após o início da invasão, a guerra segue sem perspectiva imediata de cessar-fogo.
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