Os Estados Unidos lançaram, neste domingo (19), uma série de ataques aéreos contra alvos iranianos em resposta às primeiras mortes de militares americanos desde que as hostilidades com Teerã foram retomadas no início de julho. De acordo com o Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom), as forças americanas miraram instalações militares do Irã e posições da Guarda Revolucionária que, segundo Washington, participaram de ofensivas contra tropas dos EUA na Jordânia em 17 de julho.
O bombardeio marcou a oitava noite consecutiva de operações americanas. No mesmo período, as agências iranianas Mehr e Tasnim relataram explosões na cidade portuária de Sirik, no estratégico Estreito de Ormuz, enquanto a agência estatal Irna informou um “ataque militar inimigo” nas proximidades de Hajiabad, ambos na província de Hormozgan.
“Todo ataque americano enfrentará uma resposta decisiva e devastadora”, advertiu o general Ali Abdollahi, em declaração veiculada pela televisão iraniana.
Logo após os bombardeios, o Exército iraniano anunciou o lançamento de drones explosivos contra duas bases dos EUA no Kuwait. Até o momento, autoridades do emirado não detalharam danos, mas o Exército kuwaitiano confirmou que estava reagindo a “ataques hostis com mísseis e drones”.
No Bahrein, onde fica a 5ª Frota da Marinha americana, sirenes de alerta soaram e o comando relatou a interceptação de “vários ataques aéreos traiçoeiros” atribuídos a Teerã. Já na Jordânia, a embaixada dos EUA em Amã evacuou temporariamente o aeroporto internacional e o porto de Aqaba devido a “uma ameaça específica e plausível”. O porta-voz do governo jordaniano, Mohammed Momani, porém, afirmou que ambas as instalações operavam normalmente e negou riscos imediatos.
No sábado (18), o Centcom confirmara a morte de dois militares e o desaparecimento de um terceiro em ações iranianas na Jordânia. Com isso, o número de soldados americanos mortos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, chegou a 16. O conflito, que havia sido suspenso por um cessar-fogo em abril, reacendeu-se na primeira semana de julho com intensidade inédita.
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O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, prometeu no sábado dar uma “lição inesquecível” aos Estados Unidos.
Dados do Ministério da Saúde do Irã indicam pelo menos 50 mortos e mais de 500 feridos nos bombardeios americanos realizados desde 27 de junho.
Paralelamente aos ataques aéreos, a Guarda Revolucionária informou ter bloqueado quatro navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização de Teerã. Segundo o comunicado, duas embarcações colidiram e ficaram à deriva, enquanto outras duas interromperam a rota. Antes da guerra, quase 20% do comércio global de hidrocarbonetos passava pelo estreito.
Em resposta à escalada, Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos, medida que havia sido suspensa após o acordo provisório de paz. A Guarda Revolucionária avisou que os ataques prosseguiriam “até que a calma retorne à costa sul e ao Estreito de Ormuz”.
O cenário, descrito por diplomatas como o mais grave desde a ofensiva conjunta israelo-americana de fevereiro, reforça temores de expansão do conflito para além das fronteiras dos dois países. Analistas alertam que qualquer erro de cálculo pode envolver atores regionais, dado o histórico de rivalidades no Golfo.
Enquanto Washington afirma agir em legítima defesa, Teerã acusa os EUA de violar sua soberania. A ONU convocou reunião de emergência para discutir a crise, mas até o momento não há consenso sobre um cessar-fogo imediato.
Com bombardeios contínuos, retaliações com drones e bloqueios marítimos, a tensão no Oriente Médio atingiu, neste domingo, um patamar crítico, ampliando o risco de um conflito de maiores proporções nos próximos dias.
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