A segunda-feira, 06/07, foi de choque para a vereadora Deza Guerreiro (PP), em Novo Hamburgo (RS). Defensora reconhecida dos direitos dos animais, ela abriu um pacote deixado na recepção de seu gabinete municipal e encontrou, dentro de uma caixa de papelão, o corpo sem vida de um cachorro. O embrulho trazia, na parte externa, a inscrição: “Vereadora Deza Guerreiro, com carinho para proteger os animais”.
Deza registrou em vídeo o momento em que recebeu o “presente”. Nas primeiras imagens, ela chega a comentar que se sentia emocionada, acreditando tratar-se de um gesto de apoio ao trabalho de sua ONG de proteção animal. No entanto, ao remover fitas e plásticos, percebeu que havia algo errado com o peso e o odor emitido pelo conteúdo. Quando a vereadora finalmente rasgou as sacolas de lixo que vedavam o pacote, revelou-se o cadáver do cão.
Horas depois, a parlamentar publicou o vídeo nas redes sociais para denunciar o ocorrido. Ela definiu o ato como criminoso, cruel e covarde. Em texto que acompanhou a postagem, classificou a ação como forma de intimidação dirigida a quem atua em defesa dos animais.
“Eu não vou descansar até descobrir quem foi o autor desse ataque. O que esse sujeito fez é terrorismo. Matar um animal e enviar o seu corpo como MENSAGEM?”
O impacto emocional ficou evidente na sessão ordinária da Câmara, realizada na mesma data. Visivelmente abalada, Deza chorou ao relatar aos colegas vereadores os minutos de aflição que viveu e a dor de imaginar o sofrimento do animal antes da morte. Ela salientou que jamais havia recebido ameaça direta nesse nível e pediu união do Legislativo para combater qualquer violência contra protetores de animais.
A assessoria da vereadora confirmou que o caso foi formalizado na 3ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, onde foi instaurado inquérito para apurar autoria e motivação. Investigadores analisam imagens de câmeras próximas ao prédio da Câmara e o material de envio da encomenda, na tentativa de identificar impressões digitais ou vestígios biológicos que possam levar ao responsável.
No meio político local, a ação provocou manifestações de solidariedade de parlamentares de diferentes partidos, que repudiaram o ato e destacaram a importância do debate sobre maus-tratos. Entidades de proteção animal também se mobilizaram, oferecendo apoio jurídico e psicológico a Deza e pressionando pela rápida elucidação do caso. Até o momento, não há informações sobre suspeitos nem sobre o local exato onde o cachorro teria sido morto.
Especialistas em direito ambiental lembram que a legislação brasileira prevê pena de até cinco anos de reclusão para quem pratica abuso ou maus-tratos contra cães e gatos, pena que pode aumentar se houver circunstâncias agravantes. Como o animal foi usado para emitir ameaça, há possibilidade de enquadramento em crimes de coação ou constrangimento ilegal.
A vereadora reafirmou que seguirá atuando na pauta animal, apesar do trauma sofrido. Ela declarou que pretende reforçar projetos de conscientização nas escolas e cobrar maior rigor na fiscalização de denúncias de maus-tratos no município. A expectativa é de que a polícia apresente, nos próximos dias, as primeiras conclusões da perícia no corpo do animal, que também poderá ajudar a esclarecer detalhes sobre data e causa da morte.
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