A manutenção da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tende a ser confirmada nas próximas semanas, segundo avaliação de investigadores, ministros e integrantes da defesa ouvidos pela reportagem. O entendimento é de que, desta vez, o ex-mandatário vem cumprindo todas as determinações judiciais e que não existem novos fatos que justifiquem uma reversão imediata da medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes.
Desde que passou a cumprir pena em regime domiciliar, em março, Bolsonaro permanece monitorado por tornozeleira eletrônica, apresenta relatórios médicos regulares e não se envolveu em episódios de mobilização pública como os registrados em sua primeira experiência nesse formato de custódia. Para a Polícia Federal, o ambiente em torno da residência do político está mais controlado e o ex-presidente tem observado as limitações de circulação e comunicação definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso da arma apreendida em blitz de trânsito, registrada no nome do ex-chefe do Executivo, também não ganhou força suficiente para alterar o quadro. Nos bastidores da investigação, o consenso é de que Bolsonaro deveria ter informado sobre o armamento, mas a falha é considerada menos grave do que a tentativa de retirada da tornozeleira eletrônica verificada em 2025.
Entre ministros do STF, há preocupação de que uma eventual revogação da domiciliar neste momento gere desgaste institucional e se torne combustível político em plena pré-campanha de 2026, quando Flávio Bolsonaro (PL) já se coloca como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Aliados próximos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desta vez adotam postura mais discreta, deixando a condução do processo exclusivamente a cargo dos advogados.
A defesa reforçou o pedido de prorrogação na noite de 23/06, anexando novos laudos médicos que apontam quadro clínico estável, porém demandando cuidados constantes.
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“Suas condições de saúde têm características permanentes e o quadro permanece demandando acompanhamento especializado e avaliação médica contínua”,
afirmam os advogados no documento encaminhado ao ministro.
Bolsonaro cumpre, desde novembro de 2025, pena de 27 anos e 3 meses por liderar organização criminosa que tentou manter o então presidente no cargo após a derrota eleitoral de 2022. A etapa atual de prisão domiciliar foi concedida por 90 dias, prazo que se encerra em 25/06. Nos bastidores do STF, a avaliação é que os relatórios médicos e o comportamento do condenado sustentam a renovação da medida pelo mesmo período.
Com base nesses elementos, interlocutores que acompanham o processo acreditam que o ministro Alexandre de Moraes deve decidir pela extensão da domiciliar ainda nesta semana, mantendo o ex-presidente em casa sob supervisão eletrônica até, pelo menos, o fim de setembro.
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