A 'Trionda', bola oficial da Copa 2026, foi enviada à Estação Espacial Internacional. A NASA usa o item para estudar física do futebol em gravidade zero.
A bola que hoje rola pelos gramados da Copa do Mundo da FIFA, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, ganhou um destino inusitado: o espaço. A NASA confirmou que enviou a “Trionda”, esfera desenvolvida pela Adidas para o torneio de 2026, à Estação Espacial Internacional (ISS). A iniciativa integra uma série de experimentos que investigam como a distribuição de massa e os sensores eletrônicos embutidos influenciam a trajetória de uma bola de futebol.
“A bola oficial da Copa do Mundo da FIFA foi para o espaço! Estamos trabalhando para inspirar a próxima geração, mostrando como a exploração espacial incentiva a inovação na ciência do esporte — e na vida cotidiana”, destacou a agência em publicação na rede X.
O envio do equipamento faz parte de uma parceria que já rendeu frutos em 2019, quando o Laboratório Nacional da ISS analisou bolas em microgravidade. Na ocasião, pesquisadores avaliaram como o posicionamento de sensores impactava estabilidade, rotação e movimento. Os resultados serviram de base para ajustes nas edições seguintes do principal torneio de futebol do planeta.
Desde 2022, a Adidas passou a incorporar circuitos eletrônicos nas bolas, capazes de registrar velocidade, posição exata e momento do contato. Essas informações em tempo real auxiliam árbitros de vídeo e melhoram a experiência das transmissões. No entanto, o acréscimo de componentes altera o equilíbrio interno do objeto, exigindo estudos precisos sobre aerodinâmica.
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Engenheiros do Centro de Pesquisa Ames, no Vale do Silício, lembram que a curiosidade sobre o voo irregular de uma bola não é nova. Em 2014, a equipe testou a Brazuca – usada na Copa daquele ano – em túneis de vento. As medições mostraram como pequenas variações na profundidade das costuras podiam transformar um chute reto em uma curva imprevisível. Com a Trionda, sensores adicionais tornaram o desafio ainda mais complexo.
Na ISS, astronautas realizam agora a “STEMonstration”, experiência educativa que compara bolas com diferentes distribuições de massa em ambiente de microgravidade. O propósito é ilustrar que os mesmos princípios físicos que afetam satélites e naves também ditam o espetáculo sobre a grama.
Além do valor científico, a ação reforça o viés pedagógico da agência espacial. Ao transportar um símbolo do esporte mais popular do planeta para fora da Terra, a NASA espera atrair novos olhares para carreiras ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Os dados coletados na estação serão enviados aos laboratórios na Califórnia e na Alemanha, onde especialistas da Adidas deverão refinar o design das próximas gerações de bolas. Ajustes no formato dos painéis, textura da superfície e posicionamento dos chips poderão surgir já em competições internacionais subsequentes.
A façanha teatraliza, portanto, a convergência entre pesquisa aeroespacial e tecnologia esportiva. Se dentro das quatro linhas cada centímetro conta, na órbita terrestre os experimentos mostram que a busca pela perfeição aerodinâmica não conhece fronteiras.
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