Novo boletim aponta menos dor e mais mobilidade no ex-presidente. Com recuperação avançando, a possibilidade de regime domiciliar volta ao centro das discussões.
Um novo boletim médico divulgado nesta sexta-feira, 19 de junho, indica progresso no tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, elaborado pela equipe de fisioterapia responsável pelo acompanhamento clínico, descreve atividades realizadas entre 15 e 17 de junho e ressalta diminuição de dores, ganho de mobilidade no ombro operado e ausência de crises de soluço no período avaliado.
Segundo o relatório, Bolsonaro apresentou “maior disposição física em comparação às semanas anteriores”, cenário atribuído à combinação de exercícios direcionados ao membro superior direito e ao controle dos soluços, que vinham afetando o descanso noturno. De acordo com os profissionais, a melhora no ombro permitiu ampliar o número de repetições nos alongamentos, ponto considerado fundamental para acelerar a recuperação pós-cirúrgica.
No tratamento contra os soluços, a equipe médica informa que as medicações surtiram efeito, mas provocaram efeitos colaterais como sonolência diurna e leve instabilidade de equilíbrio. O boletim frisa que os sintomas estão sendo monitorados e ajustados com mudanças graduais na dosagem.
“Observamos excelente resposta ao protocolo fisioterapêutico. O paciente relatou redução significativa de dor no ombro, melhor amplitude articular e não apresentou soluços nos dias 16 e 17”, registra o documento.
Enquanto o quadro clínico evolui, o cenário jurídico segue tenso. O deputado federal Lindbergh Farias protocolou nesta mesma sexta-feira um novo pedido para revogar a prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro. É a segunda vez que o parlamentar tenta derrubar a medida, concedida em março por prazo de 90 dias devido à condição médica do ex-presidente, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Na petição, o deputado sustenta que a domiciliar “não protege Bolsonaro das ações do Estado” e cita um episódio em que um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal teria sido impedido pela escolta particular de entregar uma intimação referente à apreensão de arma de fogo com um segurança do ex-mandatário.
Diante do impasse, Lindbergh solicita que o ministro Alexandre de Moraes consulte a Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de retorno de Bolsonaro ao regime fechado ou, em caso de negativa, que imponha condições mais rígidas na custódia domiciliar. O documento menciona ainda a necessidade de garantir atendimento de saúde permanente, caso a prisão em presídio venha a ser restabelecida.
O ministro Moraes já autorizou a oitiva de Bolsonaro pela Polícia Civil. O depoimento será presencial, marcado para 23 de junho, às 15h, na própria residência onde o ex-presidente cumpre a pena. A defesa havia solicitado audiência por videoconferência, argumento que não foi acatado pelo magistrado.
Enquanto isso, os profissionais de saúde planejam novas sessões de fisioterapia para os próximos dias, com foco em fortalecer a musculatura do ombro e manter o controle dos soluços. A equipe avalia que, mantido o ritmo de recuperação, será possível reduzir gradativamente o uso de analgésicos e ajustar a rotina de exercícios, sempre respeitando a limitação de esforço prescrita.
Com a agenda jurídica marcada e o tratamento em curso, Bolsonaro permanece sob monitoramento eletrônico e acompanhamento médico integral, aguardando os desdobramentos judiciais que podem redefinir sua condição de custódia.
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