Os Estados Unidos podem deixar de ocupar a posição de maior exportador agrícola do planeta para o Brasil, indicam estatísticas oficiais reunidas por órgãos dos dois países. Em 2025, as vendas externas norte-americanas ficaram em US$ 171 bilhões, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões embarcados pelo agronegócio brasileiro. Em 2021, a vantagem norte-americana era de US$ 56 bilhões, diferença que vem diminuindo ano a ano.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e do Ministério da Agricultura do Brasil mostram que o ritmo de crescimento brasileiro manteve-se firme em 2026. No primeiro semestre, as exportações somaram US$ 87 bilhões — melhor marca já registrada para o período — sustentadas pela liderança do país na soja, nas carnes bovina e de frango e pelo avanço em culturas como o algodão, setor em que o Brasil já superou os EUA.
“Apenas no primeiro semestre, as exportações do setor somaram US$ 87 bilhões, um recorde para o período”, pontuou a reportagem especializada.
Analistas atribuem parte dessa virada às tensões comerciais iniciadas em 2018, quando o então presidente Donald Trump impôs tarifas a produtos chineses. A reação de Pequim foi reduzir compras de grãos norte-americanos e buscar fornecedores alternativos. Segundo a base internacional UN Comtrade, em 2025 o Brasil embarcou mais de 80 milhões de toneladas de soja à China, enquanto os EUA permaneceram em patamar inferior.
Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Outro vetor decisivo é a transformação tecnológica que começou ainda nos anos 1990. Investimentos em pesquisa, adaptação de cultivos ao Cerrado e a possibilidade de colher duas ou até três safras anuais em parte do território nacional deram escala e competitividade ao campo brasileiro. A soja, principal item da pauta, divide espaço crescente com carne, milho, algodão, celulose e açúcar, diversificação que dilui riscos de mercado.
Mesmo com a trajetória de alta, o agronegócio nacional encara obstáculos. A elevação dos juros encarece o crédito rural, enquanto a recente guerra entre Irã e Israel pressionou os custos de fertilizantes. Além disso, a queda internacional nos preços das commodities reduz margens de lucro. Do outro lado do hemisfério, produtores norte-americanos relatam margens cada vez menores diante do aumento de custos operacionais e dos gargalos logísticos internos.
Especialistas ressaltam que, se o desempenho atual se repetir no segundo semestre, o Brasil poderá encerrar 2026 na liderança global. Para isso, será crucial manter a competitividade logística, ampliar acordos sanitários e assegurar oferta de insumos. O resultado final só será conhecido em 2027, quando os números consolidados forem divulgados, mas o cenário já coloca o agronegócio brasileiro em posição de destaque.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








