A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, realizou o envio de um carregamento humanitário destinado à Venezuela neste sábado (04/07). O voo fretado da companhia aérea Gol decolou às 18h do Aeroporto Internacional de Guarulhos transportando aproximadamente seis toneladas de vacinas, medicamentos e equipamentos de saúde.
Segundo a ABC, a remessa foi viabilizada em parceria com o Ministério da Saúde, a farmacêutica Eurofarma e a Marinha do Brasil. O lote inclui 250 mil doses de vacina antirrábica canina, 10 mil doses de vacina contra a febre amarela, medicamentos variados doados pela Eurofarma e 17 volumes de equipamentos laboratoriais que reforçarão o Hospital de Campanha da Marinha instalado em La Guaira, área mais afetada pelos recentes sismos.
As vacinas seguem em contêineres refrigerados sob temperatura controlada para manter a eficácia até a chegada ao destino final. Técnicos da ABC explicam que a imunização durante cenários de desastre evita surtos de doenças infecciosas e reduz o risco de novos óbitos entre a população vulnerável. O governo brasileiro reforça que o envio não compromete os estoques nacionais.
O apoio ocorre após a série de terremotos que sacudiu o território venezuelano em 24 de junho. O balanço oficial divulgado pelo Ministério das Comunicações da Venezuela neste sábado informa 2.954 mortos e 16.592 feridos. Os abalos de magnitudes 7,2 e 7,5 devastaram sobretudo o estado de La Guaira, a 40 quilômetros de Caracas, onde centenas de prédios ruíram totalmente.
Além das vítimas fatais e feridos, o governo venezuelano registra mais de 16 mil desabrigados e 856 edificações danificadas. Não há dados consolidados sobre desaparecidos, mas estimativas da Organização das Nações Unidas apontam que até 50 mil pessoas ainda podem estar soterradas ou isoladas em áreas de difícil acesso.
Em solo venezuelano, militares brasileiros que integram a missão humanitária deverão recepcionar a carga e direcionar parte dos insumos ao hospital de campanha montado em La Guaira. A estrutura de saúde temporária presta atendimento emergencial a feridos com traumas, fraturas e infecções respiratórias decorrentes do acúmulo de poeira e entulho.
A expectativa da coordenação da missão é de que a distribuição das vacinas seja concluída em até 48 horas, priorizando abrigos coletivos, postos de saúde locais e comunidades com maior incidência de animais de rua, devido ao aumento de mordidas após o deslocamento populacional.
Especialistas em saúde pública alertam que, em catástrofes de grande magnitude, a prevenção de zoonoses, como a raiva, e de doenças transmitidas por mosquitos, como a febre amarela, torna-se fundamental. A falta de saneamento e o acúmulo de lixo favorecem a proliferação de vetores, exigindo resposta rápida e coordenada.
Esta é a segunda operação de ajuda humanitária brasileira direcionada à Venezuela em menos de quinze dias. Na semana passada, caminhões do Exército atravessaram a fronteira com tendas, geradores e kits de purificação de água. A ABC informa que novas ações estão em estudo, inclusive o envio de equipes de busca e resgate especializadas em estruturas colapsadas.
Com a chegada do carregamento, autoridades venezuelanas pretendem reforçar campanhas de vacinação de rotina interrompidas pelo desastre e retomar a assistência primária à população. O Ministério da Saúde local planeja também reabastecer estoques de hospitais de Caracas, que absorveram parte dos feridos transferidos de La Guaira.
Apesar da complexidade logística, a operação desta sábado demonstra a continuidade da cooperação bilateral em situações de crise. O governo brasileiro reafirma que permanece monitorando o cenário e manterá a disposição de oferecer apoio adicional caso seja solicitado.
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