O governo brasileiro confirmou que enviará, nesta sexta-feira (26), um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) para apoiar as buscas por milhares de desaparecidos na Venezuela, país que foi sacudido por dois terremotos de grande magnitude na noite de quarta (24). A aeronave partirá do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, levando 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
De acordo com o Palácio do Planalto, o cargueiro transportará nove toneladas de equipamentos, entre eles cães farejadores, sensores de vida, torres de iluminação e ferramentas de corte, essenciais para operações de busca em estruturas colapsadas. A ajuda brasileira soma-se ao esforço internacional que começa a se formar depois que as autoridades venezuelanas confirmaram 188 mortos e mais de 1,5 mil pessoas hospitalizadas. Organizações civis locais falam em mais de 40 mil cidadãos ainda sem contato com familiares.
“Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano”, escreveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em rede social, na quinta-feira (25). “Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos.”
Lula informou que conversou por telefone com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, para definir as prioridades. Também participou do diálogo o presidente do Congresso venezuelano, Jorge Rodríguez, que atualizou o chefe de Estado brasileiro sobre a situação no terreno e sobre as áreas mais afetadas, como o litoral de Morón, no estado de La Guaira, a cerca de 160 quilômetros de Caracas.
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Um segundo voo está programado para sábado (27). Este levará a estrutura completa de um hospital de campanha, 100 purificadores de água equipados com painéis solares, medicamentos de urgência e material cirúrgico. O Ministério da Saúde confirmou que mantém equipes médicas de pronta-resposta em alerta para eventual deslocamento.
Os tremores, de 7,5 e 7,2 graus na escala Richter, provocaram desabamentos de prédios residenciais, escolas e unidades de saúde. Além dos danos estruturais, houve ruptura de redes de água e energia, o que dificulta o trabalho dos socorristas e aumenta o risco de doenças.
Especialistas brasileiros em geologia observam que a região concentra falhas tectônicas ativas. Eles alertam que réplicas de menor intensidade podem ocorrer nos próximos dias, exigindo cautela das equipes e da população local.
Com o envio da missão, o Brasil reafirma a tradição de cooperação humanitária na América do Sul. As tropas de resgate deverão permanecer em solo venezuelano pelo tempo necessário para estabilizar a situação emergencial e concluir a busca por sobreviventes.
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