O acesso à internet no Brasil atingiu um marco histórico no quarto trimestre de 2025: 168,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais navegaram na rede nesse período, o equivalente a 90,5% da população nessa faixa etária. Os números constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad TIC) 2025, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira vez que o país supera a barreira dos 90%, consolidando um avanço iniciado em 2016.
Quando comparado ao levantamento de 2024, que registrava 89,2% de conectados, o crescimento é de 1,3 ponto percentual. O estudo mostra que a rotina on-line está cada vez mais intensa: 95,6% dos usuários afirmam acessar a rede diariamente. Ainda que o uso seja menos frequente em áreas rurais, esse recorte apresentou salto expressivo de 28,5 pontos percentuais em relação a 2019, diminuindo a distância que historicamente separa o campo dos centros urbanos.
Entre as macrorregiões, o Centro-Oeste lidera com 93,6% de internautas, seguido por Sul (91,7%) e Sudeste (90,9%). Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) figuram nas últimas posições, mas também indicam tendência de aproximação dos índices nacionais. Mesmo assim, 17,7 milhões de brasileiros, ou 9,5% do público-alvo, seguem desconectados. A pesquisa mapeou as razões para a exclusão digital em 4 milhões de domicílios: 36,5% alegam não saber usar a ferramenta, 25,9% consideram o preço do serviço alto e 25,2% dizem não ver necessidade.
O telefone celular permanece como porta de entrada predominante para o universo on-line. No fim de 2025, 167,4 milhões de pessoas declararam possuir o aparelho para uso pessoal e, desse contingente, 98,1% recorreram ao dispositivo para navegar. Nas áreas rurais, a posse de smartphones saltou de 54,6% em 2016 para 79,3% em 2025, sinalizando que a mobilidade impulsiona a conectividade fora dos grandes centros.
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Após anos de retração, computadores e tablets voltaram a ganhar espaço. O levantamento identificou esses equipamentos em 38,7% dos lares, o nível mais alto da série iniciada em 2016. A presença desses eletrônicos está diretamente relacionada ao poder aquisitivo: residências com computador ou tablet registram rendimento médio de R$ 5.298.
Já a televisão segue dominante, presente em 93,9% dos lares (75,1 milhões de unidades). No entanto, a TV por assinatura encolheu para 23,5% dos domicílios com aparelho – menor patamar desde o início do acompanhamento –, totalizando 17,7 milhões de contratos. Entre os entrevistados que dispensam o serviço, 62,2% afirmam simplesmente não se interessar e 26,1% consideram o custo elevado.
Os resultados da Pnad TIC 2025 reforçam a expansão do acesso digital no país, mas também evidenciam barreiras econômicas e de conhecimento que ainda separam quase uma em cada dez pessoas da experiência on-line.
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