A Seleção Brasileira reencontrou na tarde desta segunda-feira (29) um tipo de emoção que não vivia desde a campanha do pentacampeonato, em 2002. Ao derrotar o Japão por 2 a 1, de virada, na fase de mata-mata da Copa do Mundo, o time comandado por Dorival Júnior quebrou um jejum de 24 anos sem reverter uma desvantagem em jogos eliminatórios do torneio.
O estádio Lusail, no Catar, foi palco de um primeiro tempo tenso. A equipe japonesa entrou em campo disposta a surpreender e conseguiu: aos 29 minutos, Kaishu Sano aproveitou uma bola mal afastada pela defesa brasileira e chutou firme, no canto direito, sem chances para Alisson. Com a vantagem, os nipônicos mantiveram a marcação alta e foram para o intervalo em vantagem.
Na volta do vestiário, o Brasil ajustou a posse de bola e passou a pressionar. A recompensa veio aos 11 minutos da etapa final (56 no tempo total). Após cobrança de escanteio de Raphinha, Casimiro subiu mais alto que a zaga asiática e cabeceou para o fundo da rede, igualando o marcador. O gol incendiou a torcida verde-amarela e mudou o ritmo da partida, mas o Japão resistiu até o apito final do tempo regulamentar.
A decisão foi para a prorrogação. O cenário de tensão se manteve até que, já nos acréscimos do segundo tempo extra, Gabriel Martinelli recebeu passe em profundidade de Endrick, invadiu a área e bateu cruzado aos 51 minutos. A bola entrou caprichosamente no canto esquerdo, decretando a classificação brasileira para as oitavas de final.
Com o resultado, a Seleção voltou a triunfar de virada em jogos eliminatórios da Copa do Mundo – algo que não ocorria desde 21 de junho de 2002, quando venceu a Inglaterra pelo mesmo placar nas quartas de final. Naquela ocasião, Michael Owen abriu o placar, Rivaldo empatou e Ronaldinho Gaúcho virou com uma cobrança de falta que entrou para o folclore do futebol.
Históricamente, as viradas brasileiras em Copas renderam títulos importantes. Em 1958, na final contra a Suécia, o time de Pelé e Garrincha venceu por 5 a 2 após sair atrás. Quatro anos depois, no Chile, o bicampeonato veio também de virada, contra a Tchecoslováquia, por 3 a 1. Já em 1970, o Brasil superou Uruguai e Tchecoslováquia com reviravoltas antes de conquistar o tri.
Ao todo, são 14 partidas em que o país conseguiu virar o placar no principal torneio de seleções, incluindo confrontos marcantes como o 3 a 2 sobre a Dinamarca em 1998 e o 4 a 1 diante da União Soviética em 1982. A lista completa relembra ainda vitórias sobre Suécia, Escócia, Turquia e Croácia, comprovando a tradição da camisa canarinho quando o assunto é reação.
Agora, a equipe aguarda o vencedor do duelo entre México e Holanda para saber quem enfrentará nas oitavas. O elenco retoma os treinos já nesta terça-feira, no centro de treinamento em Doha, com atividades regenerativas para quem atuou os 120 minutos e trabalho técnico para os demais.
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