A declaração final de 35 páginas, aprovada em Nova Delhi, criticou medidas tarifárias isoladas e pediu mudanças no sistema das Nações Unidas. O documento reúne 11 países que somam 39% do PIB global e 48,5% da população.
A declaração final da Cúpula do Brics, encerrada neste fim de semana em Nova Delhi, reuniu 35 páginas e 140 parágrafos recheados de recados diplomáticos. Reunidos na capital indiana, os 11 países que integram o bloco — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã — responderam por 39% do Produto Interno Bruto mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global em 2025.
Em tom de alerta, o documento registrou preocupação com o conflito no Oriente Médio, desencadeado em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam alvos iranianos sob a alegação de um programa nuclear clandestino. Os autores do texto adotaram a praxe diplomática de evitar nomes específicos, mas deixaram claro o pedido de moderação.
“Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e, recordando nossas respectivas posições nacionais, conclamamos ao exercício da máxima contenção, bem como à abstenção de ações que possam agravar ainda mais a situação.”
Apesar da presença de países diretamente envolvidos — Irã de um lado, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita do outro — a declaração não usou o termo “guerra” nem citou o Golfo Pérsico, estratégia comum para facilitar consensos.
Outro ponto recorrente foi a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O texto defendeu a ampliação da representatividade do órgão e realçou o apoio de China e Rússia ao pleito de Brasil e Índia por maior protagonismo. A redação, no entanto, evitou afirmar explicitamente que Brasília ocupará assento permanente.
No campo econômico, o bloco reprovou barreiras comerciais criadas sem respaldo multilateral. O documento condenou o aumento de tarifas e medidas não tarifárias consideradas incompatíveis com as normas da Organização Mundial do Comércio. Sem citar Washington, os países criticaram as sobretaxas impostas nos últimos anos aos principais parceiros dos Estados Unidos.
“Manifestamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio.”
A agenda econômica também incluiu discussões sobre sistemas de pagamento em moedas locais. Os signatários indicaram avanços em mecanismos que facilitem transações transfronteiriças, mas afastaram, por ora, a criação de uma moeda comum.
Na área social, o parágrafo 15 classificou a erradicação da pobreza — inclusive na forma extrema — como “o maior desafio global e requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável”. Brasil e África do Sul propuseram a instalação de um painel internacional sobre desigualdade, tema que segue em análise técnica.
A lista de autoridades presentes reforçou o peso da reunião: Narendra Modi recebeu Xi Jinping, Vladimir Putin, Cyril Ramaphosa e Masoud Pezeshkian, entre outros. O Brasil enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No encerramento, todos concordaram em manter o diálogo sobre inovação, sustentabilidade e cooperação, e confirmaram que a próxima cúpula ocorrerá em 2027, na Etiópia.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









