O diálogo entre o Executivo e o Senado segue bloqueado após a rejeição de Jorge Messias ao STF. O impasse ameaça projetos prioritários para a economia e as eleições.
O senador e ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD-MS) declarou neste sábado, 20/06, que o canal de diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), permanece travado desde que o plenário rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o parlamentar, o clima de distanciamento entre Executivo e Legislativo repercute diretamente sobre projetos considerados prioritários para a economia e para o processo eleitoral.
“Está travado, mas confio na política, confio no diálogo. Já busquei a interlocução entre os dois, como outros colegas também buscaram. No seu tempo, as coisas vão madurar e o diálogo vai voltar a prevalecer”,
afirmou Fávaro a jornalistas durante evento do setor ferroviário em Dom Aquino (MT). O senador reconheceu que, até o momento, não há sinalização clara sobre quando Lula e Alcolumbre voltarão a se reunir para destravar a pauta do Senado.
Questionado sobre possíveis prazos, o ex-ministro foi cauteloso. Para ele, a política “sempre encontra o caminho”, mas nem mesmo aliados próximos se arriscam a prever se a normalização ocorrerá antes do calendário oficial das campanhas municipais. A indefinição, de acordo com parlamentares governistas e até mesmo da oposição, cria uma espécie de “zona cinzenta” na Casa, retardando votações consideradas estratégicas.
“Não sei e nem posso dizer que isso acontece antes do início das campanhas eleitorais, mas a política sempre acha o caminho. Como a água sempre acha o caminho, a política também sempre acha”,
completou.
Entre as matérias paralisadas estão a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho semanal e o projeto de lei dos minerais críticos, ambos sob análise de comissões comandadas por senadores próximos a Alcolumbre. Integrantes do setor produtivo alegam que a demora provoca insegurança jurídica, afeta planos de investimento e emperra a geração de empregos em áreas que vão da indústria metalúrgica à tecnologia verde.
Líderes de bancadas relatam que, sem o aval do presidente do Senado, dificilmente essas proposições avançarão para o plenário. Ao mesmo tempo, o Planalto evita pressionar publicamente, temendo ampliar o desgaste. Nos bastidores, interlocutores sugerem que a crise só será superada quando Lula indicar outro nome para o STF ou quando Messias conquistar apoio suficiente para uma nova tentativa de sabatina.
Analistas políticos observam que, historicamente, disputas em torno de vagas na mais alta Corte costumam gerar ruídos entre Poderes, mas raramente se estendem por tanto tempo. A avaliação majoritária é que, caso o impasse se prolongue, o Executivo pode buscar alternativas, como negociar pacotes de emendas ou redistribuir relatorias de projetos, para reconquistar espaço na agenda senatorial.
Enquanto isso, governadores e prefeitos alertam para o impacto prático da paralisia. A PEC da jornada, por exemplo, é vista como instrumento para modernizar relações de trabalho e incentivar a formalização de empregos, especialmente em regiões que tentam atrair novas empresas. Já o PL dos minerais críticos é apontado como fundamental para inserir o país na cadeia global de transição energética, uma vez que regula a exploração de lítio, nióbio e terras raras.
Fávaro, que integra a base governista, sustenta que “o bom senso vai prevalecer” e que a mobilização de senadores favoráveis ao diálogo pode acelerar a reaproximação dos dois dirigentes. Até que isso ocorra, contudo, projetos de alto impacto seguem na fila de espera, e o mercado observa com cautela cada movimento no tabuleiro político de Brasília.
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