A pré-campanha de Caiado à Presidência busca ampliar espaço na propaganda eleitoral. Com apenas 59 segundos, aliados correm para firmar acordos e garantir mais tempo no ar.
A pré-campanha de Ronaldo Caiado à Presidência da República mantém a mira em um alvo específico: ampliar o tempo de televisão reservado ao PSD na propaganda eleitoral obrigatória. Hoje, a legenda dispõe de 59 segundos nos blocos que começam em agosto, fração considerada insuficiente para sustentar a estratégia de comunicação idealizada pela equipe do ex-governador de Goiás.
Segundo integrantes da coordenação política, rádio e televisão seguem como as vitrines de maior alcance para o eleitorado, especialmente fora dos grandes centros urbanos. A meta interna é conquistar, pelo menos, mais um minuto, dobrando praticamente a exposição de Caiado na tela. O cálculo é comparativo: Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, e Lula, do PT, devem contar com tempos bem superiores, cenário que impõe ao PSD a tarefa de costurar novas alianças.
Nos bastidores, aliados de Caiado intensificam a pressão sobre a cúpula partidária para acelerar conversas com outras siglas. O caminho, entretanto, promete ser difícil. Partidos do chamado Centrão preferem adiar definições enquanto a polarização política se acirra e o escândalo envolvendo o Banco Master segue em investigação, criando incertezas sobre o impacto eleitoral para nomes ligados ao bloco.
Até o momento, Caiado não mantém negociações formais com nenhuma legenda. Existe, porém, a expectativa de que ele avalie um diálogo com Renan Santos, líder do partido Missão, em busca de uma coligação que some forças no palanque. A hipótese encontra forte resistência dentro do PSD. Mesmo que o acordo seja firmado, o Missão conta apenas com o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), o que, pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, não alteraria o tempo de televisão: os mesmos 59 segundos continuariam disponíveis.
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A legislação estabelece que a divisão do tempo leva em conta a representação na Câmara dos Deputados. Partidos com bancadas pequenas acrescentam frações mínimas à coligação, motivo pelo qual o PSD procura legendas de médio porte ou com bancadas robustas para obter o minuto extra desejado.
Líderes regionais do PSD afirmam que, apesar da pressão, a sigla não pretende sacrificar diretrizes programáticas apenas para angariar segundos na propaganda. A avaliação é de que alianças precisam oferecer mais do que tempo de TV, também agregando capital eleitoral nos estados estratégicos.
Com o relógio correndo até agosto, articuladores reforçam agendas com dirigentes partidários, mas admitem que a indecisão pode se estender até a data-limite para convenções. Enquanto isso, a equipe de comunicação de Caiado prepara roteiros e peças publicitárias que se encaixem nos 59 segundos disponíveis, ciente de que cada imagem e palavra precisará ser milimetricamente calculada caso novas coligações não saiam do papel.
O quadro, portanto, permanece aberto. Aliados defendem redobrar esforços nas próximas semanas para evitar que o PSD entre na campanha com desvantagem competitiva, mas reconhecem que o xadrez eleitoral depende de variáveis externas difíceis de controlar. A pressão interna continua, e a direção do partido equilibra cautela política e urgência estratégica na busca pelos preciosos segundos adicionais na tela da TV.
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