Organizações lançam a campanha #VotePeloCerrado e oferecem carta-compromisso para candidatos do Executivo e do Legislativo. A iniciativa exige ações de longo prazo para conservar o bioma e lembra que o Cerrado abriga nascentes de 8 das 12 principais bacias hidrográficas.
Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado para colocar a proteção do bioma no centro do debate eleitoral deste ano. A iniciativa disponibiliza uma carta-compromisso que pode ser assinada por quem disputa vagas no Executivo ou no Legislativo. O documento deixa claro quais candidaturas se comprometem publicamente com projetos de longo prazo para conservar o Cerrado e garantir direitos aos povos que vivem nele.
Nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, os organizadores lembram que o território abriga as nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do país. Mesmo assim, mais de metade da vegetação nativa já foi destruída, e estudos apontam redução média de 27% na vazão dos rios.
A coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) sublinha a urgência de escolher representantes que não atuem de forma imediatista. De acordo com ela, sem políticas contínuas, o país coloca em risco seu abastecimento de água e a manutenção da sociobiodiversidade.
“Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro.”
Para a secretária executiva da Rede Cerrado, o pleito deve priorizar pautas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo crédito e acesso a mercados para quem preserva o bioma.
“As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, crédito e acesso a mercados para quem cuida do bioma.”
Propostas da campanha
- Proteger o Cerrado e assegurar seu reconhecimento como patrimônio nacional
- Defender as águas como direito fundamental
- Garantir terra, território e autodeterminação aos povos e comunidades tradicionais
- Combater a grilagem e a violência no campo
- Enfrentar impactos de grandes empreendimentos com consulta livre, prévia e informada
- Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar
- Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar
- Assegurar saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida
A Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações, e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, articulada por outras 60 entidades, lideram a mobilização. Entre os participantes estão povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e movimentos de conservação da natureza.
No evento on-line de lançamento, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais alertou que a escolha de parlamentares sensíveis às pautas ambientais é decisiva para impedir retrocessos.
“Se a gente não souber votar em quem vai fazer a regularização fundiária, demarcação e gestão dos nossos territórios, a gente vai entregar para outros interesses.”
Ele ressalta que proteger o Cerrado deve ser assunto de todo o país: a água que abastece grandes centros urbanos nasce ali, e a degradação do bioma pode agravar os efeitos da crise climática.
Especialistas em políticas públicas ambientais também chamam atenção para o momento político, marcado por tentativas de flexibilizar legislações de proteção. Segundo eles, escolher candidaturas alinhadas com a ciência e comprometidas com a emergência climática é fundamental para evitar perdas irreversíveis.
“É preciso votar em políticos que se preocupem com os biomas e com o clima. Posições que ignoram a emergência em que vivemos só vão piorar a vida dos brasileiros.”
Com a carta-compromisso aberta para adesões, a campanha pretende tornar público quem assume — e quem recusa — responsabilidades claras com o Cerrado. A expectativa é que o eleitorado use essas informações para orientar seu voto e pressionar os eleitos a cumprir o prometido.
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