Carnaval


Organizadores de bloquinhos de Carnaval em Aracaju destacam prejuízos no setor devido a pandemia


Publicado 17 de fevereiro de 2021 às 07:36     Por Fernanda Sales     Foto Anna Moser / AjuNews

O impacto da pandemia da Covid-19 também atingiu o setor de entretenimento. Este ano, as festas carnavalescas foram suspensas e os tradicionais bloquinhos de rua tiveram que se adaptar a nova realidade. Em Aracaju, os poucos bloquinhos que conseguiram realizar o evento, fizeram em formato de live.

Ao AjuNews, representantes e organizadores dos bloquinhos da capital sergipana destacaram os prejuízos causados com a não realização do evento e o impacto gerado para pessoas e trabalhadores envolvidos nessas festas.

Mamãe Chego Já
Com um público em média de 30 mil pessoas, o bloquinho “Mamãe Chego Já”, realizado na Zona Sul da capital, estava na sua terceira edição este ano. No evento, cerca de 300 pessoas trabalhavam de forma direta e indireta na organização, incluindo seguranças, bombeiros, equipes médicas, cordeiros, pessoal de bar, apoio, ronda, montagem. Além disso, o evento contava com as equipes de banda e produção, além dos diversos vendedores ambulantes que eram beneficiados na parte externa do evento, com o apoio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsub) para organização.

À reportagem, o organizador do bloquinho, Ícaro Samir, destacou os efeitos da pandemia na vida dos trabalhadores envolvidos em eventos. “Muitas dessas pessoas viviam exclusivamente de eventos, que quando não estávamos em pandemia aconteciam semanalmente sem falta. A grande parte deles que tenho contato no momento está trabalhando de forma autônoma, vendendo algo, fazendo pequenos bicos, e alguns poucos com algum emprego fixo. O setor de evento realmente foi um dos que mais sofreu e sofre até hoje, mesmo já com a possibilidade de fazer pequenos eventos, alguns não são viáveis por conta dos custos serem altos e a quantidade de público permitida não ser possível para ter uma margem”, explicou o organizador.

Ainda de acordo com ele, “o momento é bem delicado para pensarmos em festa, mas infelizmente ou felizmente, muitas pessoas dependem dela para sobreviver. Um dos exemplos que posso citar é Rafael Baleiro, um rapaz que vende bala em muitas festas aqui na capital, que fala comigo direto pelo Instagram perguntando se tem algum evento disponível para ele, alguma coisa que ele possa ir vender, mas infelizmente não temos”.

Ícaro criticou a falta de apoio do Governo para os profissionais do setor. “Não foi disponibilizado nenhum apoio para o setor, vi amigos produtores de banda trabalhando em ramos totalmente opostos dos seus, só para ter uma renda durante esse período. Mas creio que o pessoal que trabalhava na base foi quem mais sofreu, pessoal de bar, repositor, caixas, montagem de estruturas, holdings”, disse.

O organizador criticou as aglomerações realizadas durante as campanhas eleitorais de 2020. “Foram aglomerações muito maiores do que acontecem em certos eventos, sons tocando, distribuição de bebidas. Tudo de forma gratuita e explícita. Mas um evento organizado, com ofícios protocolados, seguranças, com toda uma organização de base, infelizmente ainda não é possível. Tivemos também o fato de pessoas que precisaram pegar dinheiro emprestado e contar com doações para conseguir passar esse período. Como todos de uma certa forma nos conhecemos, fomos unindo a corrente e fazendo por onde ajudar, mas realmente está bem complicado e sem previsões de volta à normalidade”, finalizou o representante do bloquinho.

Saudoso Tuca
O Bloco Saudoso Tuca, que percorre as ruas do Bairro Siqueira Campos, esse ano completou 10 anos de existência, mas devido a pandemia, foi realizado de forma virtual no domingo (7), com a participação do cantor Jean Pressão.

O evento tem o objetivo de doar cestas básicas paras as famílias carentes. Para adquirir o abadá, era necessário trocar por alimentos. Apesar da realização em live ter recebido doações espontâneas, a quantidade de alimentos arrecadados foi bem menor que os anos anteriores. O vereador Anderson de Tuca (PDT), organizador do bloco que homenageia o seu pai Antônio Vieira, conhecido como Tuca, informou que nas outras edições eram arrecadadas cerca de 7 toneladas de alimentos, que montavam mais de 250 cestas básicas, esse ano foram em média 100 cestas doadas.

Anderson de Tuca destacou ainda que o impacto da pandemia foi muito significativo para este setor. “Realmente o impacto foi muito grande porque tem toda uma tradição. No caso do bloco Saudoso Tuca, que estava na décima edição, sempre incentiva os artistas locais. Esse ano os artistas deixaram de ganhar dinheiro. Fora isso, têm as pessoas envolvidas no evento, que vão desde os seguranças, a pessoa que vende a cerveja, a pessoa que costura as camisas, as pessoas que compram as camisas, os que vendem som. Principalmente para esse meio artístico, quem trabalha nessa área de eventos está passando um momento muito difícil”, afirmou o organizador, destacando que mesmo em live o bloco manteve o objetivo, que é solidariedade.

Galo do Augusto Franco
Já o Galo do Augusto Franco, devido a pandemia, não realizou o bloquinho esse ano. Segundo o organizador do bloquinho no Conjunto Augusto Franco, na Zona Sul de Aracaju, Max Prejuízo, a falta do evento afetou economicamente quem comercializava produtos.

“Para a organização do Galo do Augusto Franco não teve prejuízo porque é um evento gratuito e que realizamos com muita dificuldade. Agora, para os moradores é uma oportunidade de colocar mercadoria para vender e gerar receita nesse período. E também para a população é qualidade de vida, já que é um momento de alegria e diversão que, com muita paz, podemos relaxar e até mesmo esquecer os problemas do cotidiano”, explicou.

O Galo do Augusto Franco surgiu em 2009 com bandas de frevos e até o momento, além do desfile com um galo de quatro metros e bandas de frevo, há o clube do Galo que tem trio elétrico e bandas. O evento conta com o apoio da Prefeitura de Aracaju na limpeza e da Polícia Militar na segurança.

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