Tio de um dos investigados no desaparecimento de uma jovem na Serra da Miaba, no Agreste Central sergipano, o operador de máquinas Givanilton dos Santos Lima, 37 anos, afirmou ao AjuNews que o sobrinho é inocente e contestou a prisão determinada pela Justiça. O estudante de técnico em edificações, Rayan Vinicius Lima da Silva, 20 anos, está preso preventivamente há 24 dias na Cadeia Pública de Areia Branca, no interior do estado.
Ele é um dos alvos da Operação Poder da Esperança, que apura o sumiço da estudante de engenharia florestal, Joana Gabriela Coutinho, 21 anos, em um ponto turístico no município de São Domingos. No local, a jovem foi drogada e agredida. Além Rayan, outras quatro pessoas foram presas.
Segundo a Polícia Civil, os dois se conheceram por meio das redes sociais. Mas, o fato é negado pelo tio do jovem. À reportagem, ele também apresentou trechos de conversa (veja no final da matéria) supostamente ocorrida entre Rayan e Joana dias antes da trilha na serra.
A versão da família
“Eles já se conheciam pessoalmente. Ela é uma ex-ficante de um colega dele. No sábado, ela já pretendia ir com uns amigos antes mesmo de marcar com ele. Como ela já estava aqui em Aracaju, marcaram de ir junto. Eles viajaram na segunda e dormiram na praça de Itabaiana porque não tinha carro para chegar até a serra. Ele tinha que retornar na quarta por causa do trabalho, e retornou. Ele falou que queria ir embora, mas ela falou que queria ficar”, afirmou.
De acordo com Givanilton, o sobrinho chegou a ser questionado pelo dono da mercearia que vendeu a bebida alucinógena e também está entre os investigados, Domingos dos Santos, por ele estar deixando o local sem a companhia da amiga. “Ele vinha saindo quando seu Domingos perguntou ‘você não subiu com a menina?’ Aí, ele disse ‘eu estou indo embora porque ela quis ficar’. E veio embora para Aracaju”, contou.
Rayan é definido pelo tio como um garoto estudioso, atencioso e de boa índole. “Ele não tem esse caráter de agir dessa forma como foi divulgado a não ser se fosse pressionado ou ameaçado por outra pessoa. Ele nunca se envolveu em confusão, é focado nos estudos, era de casa para o trabalho, fazendo bicos, sempre trabalhando”, acrescentou.
Segundo Givanilton, o sobrinho não tinha nenhuma relação com os outros investigados. “Conheceu o pessoal lá. A versão que ele fala é que retornaria para casa. Só que ela se disponibilizou a ficar. Jamais a gente vai arrastar uma pessoa. Não se pode acusar sem provas. Ele pode ter sido ameaçado”, reforçou.
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Para o tio do acusado, a prisão foi baseada em provas não contundentes e o sobrinho é acusado de crimes que nunca cometeu. O estudante foi indiciado por sequestro, tentativa de homicídio, possibilidade de estupro e tráfico de drogas.
“Como que se diz que é sequestro? A pessoa vai em sua casa, fuma um cigarro de maconha… Eu gostaria de saber porque fica em aberto para mim. Assim como a mãe dela quer justiça, eu também quero. Os pais são os últimos a saber a realidade dos seus filhos. Não estou aqui para difamar. Mas a polícia está em cima apenas de acusações e sem provas contra meu sobrinho”, pontuou.
Ainda em entrevista, Givanilton também aponta que o sobrinho demonstrou preocupação após o desaparecimento de Joana e chegou a tentar encontrá-la. “Quando ele deu falta dela, ele não sabia onde era a casa da irmã dela. Procurou a polícia para falar que ela estava desaparecida. Ele viajou, se não me engano, domingo, para ajudar na busca”, desabafou.
E, reforça: “Eu quero pedir que a polícia, a justiça, revejam o caso. Eu também sou trabalhador, meu sobrinho pode estar sofrendo injustamente. A participação dele foi porque ele saiu com ela e não retornou. Ele não presenciou nenhuma agressão. Só de pensar o perigo que ele corre lá dentro”.
Quem são os investigados
Além de Rayan, Maycon Douglas Nunes, Lucas Diego Bustos e o argentino Alfredo Maria Ruiz foram indiciados por sequestro, tentativa de homicídio, possibilidade de estupro e tráfico de drogas. O também argentino, Ruiz Matias, foi preso por tráfico de drogas. Já Domingos dos Santos, responsável pela venda da bebida alucinógena, também caracterizada como tráfico de drogas, responde em liberdade.
A vítima
Joana foi encontrada próxima à nascente de um rio, e na busca foi achado o livro de autoajuda “O Poder da Esperança”, que originou o nome da operação que investiga o caso. Ela desapareceu no dia 29 de setembro e foi resgatada no dia 4 de outubro.
A investigação apontou que ela sofreu rompimento do tímpano do ouvido esquerdo, pancada na nuca que deixou o osso exposto, dois ferimentos no rosto e foi encontrada com sangue na área da pélvis. Atualmente, a estudante faz fisioterapia para voltar a andar.
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