A Confederação Nacional da Indústria (CNI) levou nesta sexta-feira (17) ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a proposta de criar uma sétima missão dentro da política Nova Indústria Brasil (NIB). A ideia, discutida em reunião que contou também com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Rosa, busca blindar os segmentos produtivos mais atingidos pela tarifa extra de 25% que os Estados Unidos aplicarão a parte das exportações brasileiras a partir de 22 de julho.
De acordo com cálculos da entidade, 26,2% das vendas nacionais para o mercado norte-americano — o equivalente a cerca de US$ 11 bilhões — serão afetadas. A CNI defende que o novo eixo seja formalizado por convênio com o MDIC, permitindo a elaboração rápida de um plano de ação capaz de reforçar a competitividade interna diante do cenário externo adverso.
Lançada após um período em que o país esteve sem diretrizes industriais estruturadas, a NIB completou dois anos em janeiro de 2026 e hoje reúne seis missões focadas em digitalização, transição ecológica e inclusão social. O programa tem horizonte até 2033 e disponibiliza aproximadamente R$ 750 bilhões em linhas de crédito para modernizar o parque fabril brasileiro.
“A NIB, assim como toda política industrial, precisa ser dinâmica, atualizada e trazer respostas para situações específicas e complexas que o Brasil enfrenta. Nossa ideia é construir um plano de ação, em parceria com as 27 federações estaduais de indústria, associações setoriais, sindicatos e governo para juntos desenvolvermos uma proposta que dê suporte à indústria brasileira neste momento”, declarou Ricardo Alban, presidente da CNI.
O grupo de trabalho sugerido contaria com representantes de federações estaduais, entidades setoriais e governo federal, reunindo medidas de apoio financeiro, técnico e regulatório para os setores mais prejudicados pela sobretaxa.
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Segundo Alban, a iniciativa complementa as discussões já conduzidas pelo Executivo para mitigar perdas empresariais. Ele destacou que o esforço doméstico não substitui a frente diplomática, mas a reforça.
“É fundamental intensificar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos para buscar uma solução que preserve a relação econômica construída ao longo de décadas e marcada pela complementaridade”, afirmou.
A tarifa norte-americana foi oficializada na quinta-feira (16) com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, após investigação do Escritório do Representante de Comércio (USTR). Ficaram fora da lista produtos como etanol, carne bovina e café. O USTR argumentou que decisões judiciais sobre plataformas digitais, suposto favorecimento ao Pix, concessão de tarifas preferenciais a Índia e México sem reciprocidade e falhas no combate à corrupção motivaram a medida.
Durante o inquérito, Brasília contestou os fundamentos apresentados e alegou interferência em políticas públicas nacionais. Ao todo, 335 empresas e organizações participaram da consulta pública norte-americana, e grande parte alertou para o risco de repasse de custos aos consumidores dos EUA e impactos nas cadeias globais de produção.
Com o pleito da CNI agora na mesa, cabe ao governo analisar se incorpora a sétima missão à NIB. Enquanto isso, o relógio corre: em menos de uma semana, a sobretaxa de 25% começará a incidir sobre uma parte expressiva do que o Brasil vende ao seu segundo maior parceiro comercial.
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