Progressista Cepeda e conservador De la Espriella disputam a presidência da Colômbia neste domingo. O resultado vai definir os rumos do país em paz, economia e segurança.
Os colombianos vão às urnas HOJE (domingo, 20) para o segundo turno da eleição presidencial que colocará frente a frente o senador progressista Iván Cepeda e o advogado conservador Abelardo de la Espriella. A disputa promete direcionar os rumos de um país que ainda busca respostas para desafios fiscais, sociais e de segurança.
Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro, afirma que pretende aprofundar as políticas progressistas iniciadas pelo governo, sobretudo no que diz respeito à redução das desigualdades e ao avanço das negociações de paz com grupos armados. Ele insiste que a estratégia militar isolada não resolveu o conflito interno que se estende por décadas.
“Seguiremos dialogando, mas com firmeza para que nenhum colombiano civil pague o preço das conversas”, declarou Cepeda em recente comício em Medellín.
De la Espriella, por sua vez, promete romper com a atual orientação política. Defensor declarado de uma linha dura, ele quer aumentar o orçamento das Forças Armadas, retomar a fumigação aérea das plantações de coca e erguer “megaprisões” inspiradas no modelo salvadorenho de Nayib Bukele. Conta com o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pretende adotar ações conjuntas de interdição marítima.
“Se um barco sair carregado de drogas, ordenarei que seja afundado ainda em águas internacionais”, afirmou em entrevista à Associated Press.
No campo econômico, os dois candidatos também traçam rotas opostas. O conservador calcula cortar em até 25% o tamanho do Estado, reduzir impostos para empresas e autorizar o fraturamento hidráulico (fracking) para impulsionar o crescimento a 7% ao ano. O progressista defende que “a guerra às drogas fracassou” e aponta o modelo neoliberal como responsável por intensificar a concentração de renda. Em resposta, fala em taxar grandes fortunas, regular o mercado de cannabis, papoula e folha de coca, além de escolher fontes de energia menos poluentes.
Dados do Comitê Autônomo da Regra Fiscal mostram que o déficit primário colombiano chegou a 3,5% do PIB em 2025, maior nível em três décadas fora de períodos de crise. Qualquer que seja o eleito, o ajuste de contas públicas será inevitável.
Na arena internacional, Cepeda pretende manter laços com Washington sem abrir mão da soberania, ampliando parcerias com África e Ásia. Ele também questiona a política norte-americana de recompensa pela captura de Nicolás Maduro e propõe diálogo permanente com Caracas. De la Espriella, por outro lado, celebra a cooperação com os EUA para pressionar o governo venezuelano e condiciona a relação bilateral ao aval norte-americano.
As seções eleitorais abrirão às 8h (horário local) e fecharão às 16h. O registrador nacional, Alexander Vega, informou que o resultado preliminar deve sair ainda esta noite. Segundo a última pesquisa Gallup, a diferença entre os dois candidatos está dentro da margem de erro, reforçando a expectativa de uma apuração apertada.
A segurança foi reforçada em todo o território com 300 mil integrantes das forças públicas destacados para proteger eleitores, mesas de votação e material eletrônico. O governo também instalou um centro de monitoramento de redes sociais para prevenir fake news e possíveis tentativas de interferência externa.
Após a posse marcada para 07 de agosto, o novo chefe do Executivo herdará negociações de paz em andamento com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o desafio de reativar a economia, que desacelerou para 2,1% em 2025. Além disso, precisará gerenciar a pressão para reduzir a migração venezuelana que chega às grandes cidades e a cobrança por respostas à crise climática que afeta a produção agrícola.
Com agendas antagônicas em quase todos os temas, Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella oferecem aos 38 milhões de eleitores duas visões de Colômbia. A decisão sai HOJE — e o resultado terá impacto direto sobre o futuro da região.
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