Dias após ser condenado a mais de 4 anos de prisão, Eduardo Bolsonaro está em Washington. O filho do ex-presidente participa hoje de jantar com mais de 20 senadores do Partido Republicano.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desembarcou em Washington, D.C., poucos dias depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A presença do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na capital norte-americana marca uma nova etapa da articulação internacional do grupo bolsonarista e mira, sobretudo, congressistas alinhados ao Partido Republicano.
Eduardo participa HOJE de um tradicional jantar que costuma reunir mais de 20 senadores republicanos. Considerado um dos principais encontros do calendário conservador em Washington, o evento costuma ser palco de discussões sobre política externa e comércio. Fontes próximas ao ex-deputado indicam que ele pretende reforçar laços e apresentar sua versão sobre o processo que levou à condenação no Brasil.
Nos corredores do Capitólio, cresce a avaliação de parlamentares republicanos de que tarifas comerciais não seriam o instrumento mais eficaz para pressionar o governo brasileiro. Em vez disso, alguns defendem a adoção de sanções individuais inspiradas na Lei Magnitsky — legislação usada pelos Estados Unidos para punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. A proposta, segundo assessores, deve ser um dos pontos centrais da conversa com Eduardo.
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A condenação do dia 16 de junho, decidida por unanimidade pela Primeira Turma do STF, aponta que o ex-deputado cometeu coação no curso do processo ao atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e estrangeiras. Os ministros entenderam que ele buscou mobilizar congressistas e integrantes do governo norte-americano contra o Judiciário brasileiro, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.
Desde 2025, Eduardo mora nos Estados Unidos em espécie de autoexílio. De lá, trabalha ao lado do jornalista Paulo Figueiredo para criar uma rede de apoio internacional que denuncia o que classificam como perseguição política ao bolsonarismo. A recente sentença passou a ser apresentada por aliados como prova de “excessos” do STF e, ao mesmo tempo, como argumento para ampliar a campanha por sanções contra membros do Judiciário.
A movimentação repercute dentro do governo Donald Trump. Assessores próximos ao presidente voltam a criticar publicamente decisões de tribunais brasileiros, enquanto parlamentares republicanos organizam audiências para debater a situação política no Brasil. Entre apoiadores de Jair Bolsonaro, a estratégia internacional é vista como defesa da liberdade de expressão; críticos avaliam que ela exporta disputas internas e busca gerar pressão externa sobre instituições brasileiras.
Nas próximas horas, Eduardo deve manter reuniões reservadas com think tanks conservadores e líderes empresariais interessados no mercado brasileiro. Interlocutores afirmam que, embora se concentre na agenda política, o ex-deputado também tenta assegurar apoio financeiro para futuras campanhas de comunicação voltadas às redes sociais.
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