O clima entre Teerã e Washington voltou a escalar depois que o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou, nesta quarta-feira (08/07), a retomada de bombardeios a alvos iranianos. Segundo o próprio Centcom, as ações militares foram planejadas para “responsabilizar o Irã por sua recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis” no Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte global de petróleo.
Instantes após a divulgação dos ataques, Mohsen Rezaei, oficial do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica e conselheiro militar do Líder Supremo do Irã, pronunciou-se por meio do canal do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Telegram. O general classificou os Estados Unidos como “inimigo agressor” e garantiu que a resposta persa não ficará sem retorno.
“O inimigo agressor e seus cúmplices serão severamente punidos”, afirmou Rezaei, reforçando que Teerã “responderá com firmeza” a qualquer nova investida norte-americana.
As primeiras reações oficiais também vieram do Ministério das Relações Exteriores iraniano. Abbas Araqchi condenou o bombardeio e criticou a postura do presidente dos Estados Unidos. Ele optou por não anunciar medidas concretas, mas rejeitou “grosserias” vindas da Casa Branca.
“Dirigir-se à nação iraniana, civilizada e corajosa, com uma linguagem depreciativa não diminui sua grandeza”, declarou o chanceler, em mensagem publicada nas redes sociais.
O tom foi provocado por declarações anteriores de Donald Trump durante a cúpula da OTAN em Ancara. Na ocasião, o presidente norte-americano chamou líderes iranianos de “escória” e “pessoas doentes”. A retórica aumentou a tensão que se arrasta desde a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear em 2018.
Fontes locais relataram explosões em cidades do sul, sudeste e sudoeste do Irã, próximas à costa do Golfo Pérsico. A agência de notícias iraniana Mers indicou que os estrondos ocorreram poucos minutos depois dos primeiros anúncios do Centcom. Até o momento, não havia confirmação oficial sobre vítimas ou danos materiais.
Analistas militares destacam que o Estreito de Ormuz permanece como ponto mais sensível da crise. Cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo atravessa o canal, o que torna a região vital para a economia global. Especialistas temem que um confronto direto ou prolongado possa afetar preços internacionais da commodity e intensificar disputas diplomáticas.
Apesar das ameaças mútuas, interlocutores na região ainda acreditam em espaço para negociação. Líderes europeus mantêm canal aberto com Teerã e Washington, na tentativa de evitar novos ataques e retaliações. Enquanto isso, o governo iraniano reforçou que qualquer incursão “será tratada como violação de sua soberania” e, por esse motivo, as forças armadas permanecem em estado de alerta máximo.
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