A equipe que conduz a pré-campanha de Fernando Haddad (PT) analisa que a diferença de 16 pontos que separa o ex-ministro do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na pesquisa Datafolha divulgada em 05/07 pode diminuir nas próximas semanas. O diagnóstico é compartilhado pelo deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do grupo, que atribui a vantagem do atual chefe do Executivo paulista ao fato de ele já estar em plena atividade eleitoral enquanto o adversário ainda ajusta sua estrutura de comunicação.
De acordo com Emídio, o peso das inserções publicitárias em rádio, televisão e redes sociais tem sido determinante neste início de corrida. Ele enumera a combinação de obras inauguradas, campanhas institucionais do governo estadual e ações da Prefeitura da capital como fatores que garantem alta visibilidade ao governador.
“Até aqui, só Tarcísio está em campanha. Há entregas, um enorme volume de propaganda do Estado e da Prefeitura de São Paulo”, pontua o parlamentar.
O levantamento Datafolha indica Tarcísio com 46% das intenções de voto totais, contra 30% de Haddad. Nos votos válidos, o governador aparece com 52%, patamar que lhe daria vitória em primeiro turno caso a eleição ocorresse agora. Em março, o placar era 44% a 31%, variação dentro da margem de erro, mas que reforça a sensação, entre aliados do Republicanos, de que a estratégia de exposição antecipada rende frutos.
Outro ponto citado por Emídio de Souza é a retirada de candidaturas que orbitavam o campo de centro, como as de Paulo Serra (MDB) e Kim Kataguiri (Missão). Para o petista, esses movimentos reorientaram parte do eleitorado para o governador, mas tendem a se acomodar quando a campanha oficial começar e a propaganda eleitoral gratuita equilibrar o tempo de tela.
“Também teve o efeito da retirada das candidaturas”, resume o coordenador, acrescentando que as duas equipes monitoram a redistribuição de votos desde a semana passada.
No comitê petista, a ordem agora é mirar eleitores indecisos e abstenções, especialmente em regiões onde Haddad historicamente vai bem: zonas Leste e Sul da capital, Baixada Santista e interior. A convenção que oficializará seu nome ao Palácio dos Bandeirantes está marcada para 25/07, em Ribeirão Preto, gesto simbólico para reforçar laços com o interior.
Do lado de Tarcísio, a maratona de entregas de obras e serviços deve prosseguir até o início do período eleitoral, com agenda intensificada na capital e na Grande São Paulo. Internamente, aliados avaliam que o governador consolidou imagem de gestor e agora buscará ampliar a identificação com segmentos urbanos onde ainda enfrenta resistência.
Analistas políticos lembram que a disputa só começa realmente quando o eleitor médio passa a acompanhar debates e inserções oficiais. Para eles, a distância de 16 pontos é expressiva, mas não definitiva, pois o índice de eleitores que admitem mudar de voto segue relevante.
Haddad tenta se apresentar como alternativa de centro-esquerda focada em inclusão social, crescimento econômico e defesa dos serviços públicos. Já Tarcísio sustenta discurso de continuidade administrativa, investimentos em infraestrutura e segurança, apostando na popularidade conquistada nos primeiros anos de gestão.
Com três meses até a abertura oficial da campanha, ambos calibram narrativas e montam alianças regionais. Dirigentes partidários preveem uma eleição polarizada, mas com margem para surpresas, caso novos apoios ou fatos políticos relevantes alterem o humor do eleitorado.
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