O Comitê de Política Monetária inicia reunião de dois dias para avaliar a taxa básica de juros. Analistas financeiros apontam corte de 0,25 p.p. para 13,75% ao ano, sustentado pela inflação de agosto em -0,32%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central abre HOJE, 15 de setembro, a sua sexta reunião de 2026 para decidir os rumos da taxa básica de juros. O encontro, dividido em duas etapas, termina amanhã. Analistas financeiros trabalham com a possibilidade de que a Selic recue dos atuais 14% para 13,75% ao ano, numa sequência de cortes que vem ocorrendo desde março.
A expectativa de redução se apoia nos sinais de desaceleração dos preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto em -0,32%, menor marca dos últimos quatro anos. Mesmo com esse desempenho, as projeções de mercado para a inflação de 2026, compiladas no boletim Focus, ainda superam o teto da meta estipulada para o período.
No Focus divulgado na véspera da reunião, foi observada tendência de queda para o IPCA: a mediana das previsões recuou de 5% para 4,9%. Há um mês, as mesmas instituições estimavam 5,02% para o fim de dezembro. O crescimento econômico calculado para 2026 também sofreu leve ajuste: a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,93% para 1,89%, enquanto, quatro semanas atrás, estava em 1,98%.
Quanto ao câmbio, as estimativas permanecem inalteradas há 13 semanas. O dólar continua previsto a R$ 5,20 no encerramento do ano, demonstrando estabilidade nas apostas sobre o valor da moeda norte-americana.
A Selic é a referência de custo do dinheiro na economia porque baliza as negociações de títulos públicos e influencia todas as demais taxas de crédito. Quando sobe, encarece financiamentos, reduz o consumo e desaquece a demanda, ajudando a conter a inflação. Em sentido oposto, cortes na Selic costumam baratear o crédito e estimular investimentos, consumo e geração de empregos.
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, técnicos do Banco Central apresentam avaliações sobre o cenário doméstico e internacional. No segundo, os oito integrantes votam o patamar da Selic. A decisão final, acompanhada de um comunicado, será conhecida amanhã à noite.
O órgão trabalha dentro de um regime de metas contínuas para a inflação, em vigor desde janeiro de 2025. A meta central é de 3%, com banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, limites de 1,5% e 4,5%. Embora as estimativas de mercado venham cedendo, continuam acima do teto, o que mantém a autarquia vigilante sobre eventuais pressões de preços.
Se a expectativa de corte se materializar, o juro básico atingirá o menor patamar do ano, reforçando a interpretação de que o ciclo de aperto monetário iniciado em 2021 foi substituído por um movimento gradual de afrouxamento. Ainda assim, analistas destacam que as próximas decisões dependerão da trajetória dos preços, da atividade econômica e do ambiente externo, especialmente a política de juros nos Estados Unidos.
Após o anúncio, o Banco Central divulgará a ata detalhada da reunião na próxima terça-feira, documento que costuma orientar as apostas do mercado até o encontro seguinte.
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