O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou, em 23/06, a ata da reunião realizada na semana anterior, quando decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,5% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro ajuste desde março, consolidando a reversão gradual do ciclo que manteve a Selic em 15% de junho de 2025 até o início de 2026, o patamar mais elevado em quase duas décadas.
Apesar da piora no quadro de preços, o colegiado argumentou que as melhores práticas internacionais recomendam não reagir integralmente a choques de oferta, classificados como eventos inesperados que geram oscilações temporárias na inflação. No documento, os diretores explicam que intervenções exageradas em tais circunstâncias podem provocar volatilidade desnecessária na atividade econômica e nos mercados financeiros.
O texto menciona, entre os principais fatores de incerteza, o impacto do conflito armado no Oriente Médio sobre as cotações globais de petróleo e combustíveis, além dos efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño, ainda em medição. Ambos os vetores pressionam custos de produção e, em última instância, o índice de preços ao consumidor.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, registra a ata.
Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 0,58%, puxado sobretudo pelos alimentos. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,72%, acima do limite superior da meta, que permite variação de 1,5% a 4,5%. Projeções do mercado financeiro apontam IPCA de 5,33% em 2026 e 4,15% em 2027.
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Segundo o Copom, trajetórias alternativas de juros foram simuladas, combinando pausas e retomadas do ciclo, para avaliar o impacto sobre a atividade e a convergência da inflação. As projeções indicaram menor flutuação do produto e confirmaram a possibilidade de alinhar o índice de preços ao centro da meta no primeiro trimestre de 2028, horizonte oficial estabelecido pelo Banco Central.
O colegiado também acreditou que manter a Selic próxima das expectativas dos analistas evita sobressaltos nos ativos financeiros e reduz incertezas para famílias e empresas. Ao mesmo tempo, ressaltou a resiliência da economia doméstica, que continua surpreendendo positivamente e dificultando a desaceleração dos serviços.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, conclui o documento.
Dessa forma, a autoridade monetária sinalizou que as próximas decisões dependerão da dinâmica dos dados de inflação, atividade e condições internacionais. Até lá, prevalece a combinação de cautela e flexibilidade, em busca do equilíbrio entre crescimento sustentável e estabilidade de preços.
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