Correr é apontado por muita gente como o grande vilão das articulações do joelho, alimentando a ideia de que o impacto repetitivo – tal qual o desgaste de uma engrenagem – acelera o surgimento de artrose. O ortopedista Pedro Debieux, especialista em medicina esportiva, analisa esse mito e apresenta resultados que desafiam a intuição de quem costuma associar quilômetros percorridos a lesão inevitável.
De acordo com o médico, as articulações não funcionam como peças metálicas que simplesmente se soltam com o uso. Ao contrário, a sobrecarga mecânica adequada estimula adaptações positivas, fortalecendo ossos, cartilagens e músculos. A comparação feita por ele reúne três perfis: pessoas sedentárias, corredores amadores e atletas de elite. A investigação observa diferentes volumes de treino, intensidades e histórico clínico para entender quem, de fato, corre maior risco de desenvolver artrose.
Os dados apresentados mostram que o grupo dos praticantes recreativos aparece, em geral, com menor incidência de degeneração articular quando comparado aos sedentários. O cenário muda entre corredores de alto rendimento: os atletas que treinam grandes distâncias e competem frequentemente exibem taxas superiores de lesão, relacionando sobrecarga, poucas pausas para recuperação e histórico competitivo prolongado.
Esse resultado surpreende muitas pessoas justamente por apontar que a inatividade pesa mais contra a saúde do joelho do que a prática moderada de corrida. A explicação passa pela capacidade do tecido cartilaginoso de se readaptar a estímulos mecânicos progressivos, algo semelhante ao que ocorre com a musculatura durante a hipertrofia.
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Debieux destaca a importância da chamada “dose” de exercício. Para quem está começando, ele reforça a necessidade de progressão lenta de volume, incrementando distâncias e intensidade de forma gradual. O fortalecimento dos músculos do quadríceps, glúteos e core também integra o pacote de prevenção, já que esses grupos musculares colaboram na absorção de impacto.
Outro ponto crucial envolve a leitura da dor. Desconfortos leves e passageiros costumam fazer parte do processo de adaptação, mas sintomas persistentes ou associados a inchaço, estalos constantes e limitação de movimento exigem avaliação médica. O ortopedista indica pausa imediata na atividade se houver dor aguda e recomenda exames de imagem caso o incômodo ultrapasse duas semanas.
Para quem busca qualidade de vida, o recado final é equilibrar prática esportiva, descanso e fortalecimento. Correr pode integrar, com segurança, a rotina de pessoas de diferentes faixas etárias, desde que respeitados os princípios de progressão, ajuste de carga e escuta aos sinais emitidos pelo corpo. Dessa forma, a corrida deixa de ser inimiga das articulações e passa a aliada da saúde geral.
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