A tensão entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novos capítulos depois de um vídeo dividido em duas partes publicado por ela em 24/06. Nas imagens, a ex-primeira-dama relatou ter sido “apunhalada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e revelou um telefonema em que, segundo disse, foi humilhada e aconselhada a manter distância das decisões partidárias.
A queixa surgiu porque Flávio saiu em defesa do deputado André Fernandes (PL-CE) após o parlamentar declarar apoio ao pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB). Michelle recordou que Ciro já qualificou Flávio e os irmãos como corruptos e “ovos de serpentes nazistóides”, motivo pelo qual considerou inadmissível o alinhamento.
“O Flávio me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido”, afirmou Michelle no vídeo, acrescentando sentir-se traída pela condução do senador.
Os atritos não começaram agora. No fim de 2025, durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo cearense, Carlos, Eduardo e o próprio Flávio criticaram publicamente Michelle por reprovar a articulação de Fernandes com Ciro Gomes. À época, ela classificou a manobra como um desrespeito aos eleitores bolsonaristas.
Em entrevista ao jornal O Povo, Flávio declarou que Michelle “atropelou” as orientações de Jair Bolsonaro. O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) reforçou a fala nas redes: “Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai”. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chamou a reação da ex-primeira-dama de “injusta e desrespeitosa” ao deputado cearense.
A tentativa de pacificação veio em fevereiro, quando Flávio prometeu “reunir a família” após nova troca de farpas, dessa vez entre Michelle e Eduardo. O foco do desentendimento foi a avaliação de que Michelle e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não estariam dando apoio suficiente à pré-campanha presidencial de Flávio.
Em março, durante o CPAC nos Estados Unidos, Eduardo gravou imagens para mostrar ao pai que, segundo ele, “o movimento não poderia ser silenciado”. Como Jair Bolsonaro está proibido de usar redes sociais enquanto cumpre medidas judiciais, interlocutores afirmaram que Michelle passou a evitar contato direto com o enteado, recorrendo a intermediários.
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Os descompassos continuaram em maio, quando surgiu a conversa do senador negociando R$ 134 milhões com o empresário Daniel Vorcaro. Questionada, Michelle preferiu não comentar: “Flávio, você tem que perguntar pra ele”, disse.
No vídeo de 24/06, a ex-primeira-dama acrescentou que o senador frequenta sua casa semanalmente e, portanto, poderia ter buscado apoio pessoalmente.
“Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Continuarei recolhida”, declarou.
Horas depois, em 25/06, Flávio negou ter humilhado a madrasta e divulgou nota de retratação:
“Nunca maltratei ou humilhei uma mulher. Se o fiz em algum momento, peço desculpas.”
Ele afirmou ainda ter tentado convidá-la para uma reunião organizada pela senadora Damares Alves, mas não obteve retorno.
Encerrando a sequência de declarações, Michelle disse não guardar ressentimentos:
“Não tenho raiva de ninguém. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito.”
Mesmo com apelos à união, o episódio expôs fissuras que podem pesar na estratégia eleitoral do clã em 2026, quando tanto Michelle quanto Flávio despontam como potenciais protagonistas em candidaturas nacionais.
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