A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) voltou a tratar, nesta segunda-feira (06/07), da onda de ofensas virtuais que vem recebendo desde que divergiu publicamente de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante conversa com jornalistas, ela reiterou o agradecimento à deputada federal Marina Silva (Rede-SP), que se manifestou em defesa da colega na última sexta-feira, 3, em publicação na rede X.
Segundo Damares, o gesto de Marina foi decisivo para expor que a violência política de gênero transcende divisões partidárias. A ex-ministra do Meio Ambiente ressaltou na postagem que nenhuma mulher deve ser constrangida ou ameaçada por ocupar espaços de poder, lembrando que agressões desse tipo afetam todas as parlamentares.
“Quando uma mulher na vida pública é alvo de agressões e tentativas de silenciamento, todas nós somos atingidas”
A senadora disse ter ficado emocionada com as palavras da deputada, a quem se refere como amiga de longa data, apesar de hoje atuarem em campos políticos distintos.
“Estamos hoje em lados opostos na política, mas todos sabem que no passado já estivemos do mesmo lado, juntas, lutando por um Brasil melhor. E todos também sabem que tenho carinho e admiração pela senhora e que somos irmãs em Cristo”
“Obrigada pela mensagem e parabéns pela coragem, que sempre foi sua marca, de fazer esta manifestação de solidariedade de forma pública”
Os ataques começaram após Damares não comparecer a uma reunião organizada por Flávio Bolsonaro com lideranças femininas e, na sequência, defender a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido “humilhada” pelo enteado. Blogueiros próximos ao pré-candidato, entre eles Oswaldo Eustáquio e Paulo Figueiredo, passaram a chamar a senadora de “leviana”, “vagabunda” e “adúltera” em transmissões ao vivo e publicações nas redes sociais.
A artilharia se ampliou durante live de Figueiredo no dia 25, quando ele declarou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras, alegando que as casadas “geralmente acompanhariam o voto dos maridos”. Para organizações civis que acompanham casos de violência política, o episódio mostra como discursos misóginos continuam sendo usados como ferramenta de intimidação.
Na quarta-feira, 1º, Damares levou o assunto à Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde relatou em detalhe as ofensas.
“Chegaram ao absurdo esta semana de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar, se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida”
Parlamentares de diferentes legendas condenaram as agressões e estudam apresentar representação por quebra de decoro contra os responsáveis. Especialistas lembram que ameaças on-line costumam evoluir para ataques físicos, ponto que preocupa a bancada feminina.
Marina Silva, que já foi companheira de partido de Damares em iniciativas voltadas à defesa dos direitos da criança e da mulher, afirmou que seguirá vigilante. A senadora, por sua vez, disse não cogitar recuar de seus posicionamentos e avisou que levará o caso à Justiça para que os autores respondam por calúnia, difamação e injúria.
Enquanto o processo não chega aos tribunais, a discussão reforça a urgência de mecanismos de proteção para mulheres na política. Associações femininas pressionam por protocolos de segurança mais rígidos e por campanhas educativas que coíbam o discurso de ódio. Para elas, a nota de solidariedade de Marina e o reconhecimento público de Damares podem servir de exemplo de união feminina em meio às divergências ideológicas.
O Senado deve retomar o debate sobre o tema na próxima reunião da Comissão de Direitos Humanos, marcada para 10/07. Até lá, Damares pretende articular com colegas um pacote de medidas que fortaleça a resposta institucional a ataques misóginos, seja dentro do Parlamento, seja no ambiente digital.
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