A Presidência da Síria anunciou neste domingo (5) que espera receber o presidente francês Emmanuel Macron para discutir o reforço das relações bilaterais e temas de interesse comum. Caso confirmada, será a primeira visita de um chefe de Estado da Europa Ocidental ao país desde que Ahmed al-Sharaa chegou ao poder, em dezembro de 2024, após a deposição de Bashar al-Assad.
“Espera-se que Macron visite a Síria para discutir formas de fortalecer as relações bilaterais e temas de interesse comum”, informou o gabinete de imprensa da Presidência.
O comunicado oficial não detalhou datas nem a agenda completa, mas autoridades sírias consideram a viagem um marco diplomático importante, sobretudo porque Paris manteve, por anos, severas restrições ao regime anterior. Analistas veem no possível encontro a chance de Damasco acelerar a reintegração internacional e captar apoio para a reconstrução.
Enquanto aguarda a visita, o governo foca na consolidação de suas instituições. Na quarta-feira (1º), o presidente interino Ahmed al-Sharaa nomeou 70 parlamentares, que se somaram aos 140 eleitos ao longo dos últimos oito meses, completando assim as 210 cadeiras do primeiro Parlamento do período pós-Assad. Entre os escolhidos pelo chefe do Executivo, 15 são mulheres, elevando para 22 o total de representantes femininas na Casa.
A primeira sessão do novo Legislativo está marcada para esta segunda-feira (5), quando os parlamentares tomarão posse e iniciarão a elaboração de uma nova lei eleitoral. O mandato será de 30 meses. Segundo Mohammed Taha al-Ahmad, presidente do comitê eleitoral, a expectativa é que o Parlamento produza um arcabouço legal capaz de nortear futuras disputas, inclusive nos territórios que ainda não finalizaram suas etapas de votação.
A Síria realizou a primeira fase das eleições parlamentares em outubro, mas deixou de fora Sweida, reduto druso que se opõe a Damasco, e o nordeste do país, então sob controle curdo. Em maio, após confrontos que devolveram o domínio ao governo central, a votação ocorreu no nordeste. Ainda não há data para as urnas chegarem a Sweida, embora dois representantes da província figurem entre os nomeados por Al-Sharaa.
Desde o início da guerra civil, em 2011, o conflito já deixou mais de meio milhão de mortos e forçou milhões de sírios a deixar suas casas. O colapso do regime de Assad, em 2024, abriu espaço para uma complexa rearrumação interna. Al-Sharaa, ex-líder do grupo militante Hayat Tahrir al-Sham, agora dissolvido, assumiu prometendo transição democrática e reconstrução econômica. A instalação do Parlamento e a possível chegada de Macron são vistas como etapas decisivas desse processo.
Diplomatas locais afirmam que a comitiva francesa deverá incluir especialistas em ajuda humanitária e reconstrução urbana. Caso o encontro se concretize, temas como a retomada de obras de infraestrutura, o retorno seguro de refugiados e a cooperação na luta contra remanescentes de organizações extremistas devem dominar a pauta.
Para observadores internacionais, o simples fato de um líder europeu considerar desembarcar em Damasco sinaliza que o país pode estar prestes a retomar canais diplomáticos amplos, rompidos ou minimizados durante mais de uma década de guerra. A expectativa é que outras nações adotem postura semelhante, condicionando maior abertura a avanços palpáveis em direitos civis e estabilidade institucional.
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