A defesa de Felipe Cançado Vorcaro, primo do proprietário do Banco Master, moveu uma nova ofensiva jurídica e pediu, na segunda-feira (22), que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogasse a prisão preventiva imposta ao empresário. Os advogados solicitaram que a detenção seja substituída por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e entrega de passaportes.
No documento, os representantes de Vorcaro contestaram o relato da Polícia Federal (PF) de que ele teria fugido em um carrinho de golfe momentos antes da chegada dos agentes a uma residência em Trancoso, litoral sul da Bahia. O episódio, apontado pela PF como tentativa de evasão, ocorreu em 14 de janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero — investigação que apura suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.
De acordo com os advogados, a ordem judicial expedida naquele dia determinava apenas prisão temporária. O mandado, entretanto, foi convertido em prisão preventiva após a corporação informar a suposta fuga. Os defensores afirmam que as imagens de câmeras de segurança usadas como prova não mostram o empresário.
“O fundamento da evasão, portanto, não encontra amparo nos elementos de informação constantes nos autos e não pode, bem por isso, sustentar a necessidade da prisão preventiva”, escreveram.
Segundo a petição, as gravações revelariam, na verdade, duas pessoas diferentes do investigado: o sogro de Vorcaro e um hóspede que estaria hospedado no imóvel. A defesa sustenta que, uma vez afastada a suspeita de fuga, desaparece o requisito de periculosidade que justificaria a manutenção da custódia cautelar.
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Felipe Vorcaro também figura entre os alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio. A PF atribui a ele responsabilidade por movimentações financeiras consideradas suspeitas ao longo da apuração. Os advogados, contudo, reforçam que o empresário vem colaborando com as investigações e que não há risco de interferência na coleta de provas.
Como parte da estratégia, a defesa informou que o Banco BTG Pactual entregou “extensa documentação” ao processo, esclarecendo operações vistas como indicativas de ocultação patrimonial ou continuidade delitiva. Ainda segundo a peça, esses elementos não teriam sido examinados quando o ministro Mendonça validou a conversão da prisão nem no julgamento subsequente da Segunda Turma do STF.
Os advogados alegam que, sem análise do material recém-juntado e diante da controvérsia sobre a suposta fuga, a manutenção da prisão preventiva violaria o princípio da proporcionalidade. O pedido aguarda despacho de André Mendonça.
Até o momento, o STF não divulgou prazo para decidir sobre a solicitação, e a Procuradoria-Geral da República deverá se manifestar antes do novo exame do caso.
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