A defesa do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar (União Brasil) divulgou nota nesta quinta-feira, 02/07, negando qualquer participação do ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense em suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao jogo do bicho. O posicionamento vem após a Polícia Federal expedir mandado de prisão contra o político na 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.
“A defesa de Rodrigo da Silva Bacellar, em razão da deflagração da 5ª fase da Operação Unha e Carne, nega que seu constituído tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes.”
Os advogados afirmam que Bacellar não mantém vínculos com os fatos apurados e sustentam que a inocência será comprovada com a apresentação de novas provas. Na nota, o time jurídico ressalta que o ex-deputado construiu carreira pautada no enfrentamento ao crime organizado.
Além de Bacellar, a operação mira o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho — apontado pelos investigadores como a atual liderança do jogo do bicho no Rio — e o pastor e empresário do ramo de tabaco Márcio Poncio (Solidariedade). Segundo a PF, a etapa iniciada HOJE busca aprofundar indícios de lavagem de capitais praticada pela cúpula da contravenção e verificar possíveis repasses a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo.
Documentos recolhidos em fases anteriores teriam revelado contabilidade paralela destinada à ocultação de receitas ilícitas, além de registros de pagamentos irregulares e doações eleitorais suspeitas. Com base nesses achados, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
A operação acontece no contexto do cumprimento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, na qual o STF determinou o fortalecimento de ações federais contra facções violentas e suas ramificações políticas no estado. Nas fases anteriores da Unha e Carne, agentes federais cumpriram dezenas de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a contraventores e investigados por corrupção.
A defesa de Bacellar insiste que as suspeitas carecem de lastro probatório robusto, pontuando que o ex-presidente da Alerj nunca foi citado formalmente em acordos de delação ou relatórios financeiros. O objetivo, destacam, é colaborar com a Justiça para “encerrar qualquer dúvida” sobre a conduta do cliente.
Com o avanço da 5ª fase, a PF pretende analisar movimentações bancárias, registros telefônicos e possíveis contratos de fachada usados para lavagem de dinheiro. As autoridades estimam que o esquema teria movimentado milhões de reais ao longo dos últimos anos, empregando empresas de diferentes ramos para disfarçar a origem ilícita dos recursos.
Até o fechamento desta edição, não havia confirmação sobre o cumprimento do mandado de prisão contra Bacellar. A equipe de investigação continua em campo para coletar documentos e depoimentos que possam esclarecer a extensão das ligações entre o jogo do bicho e agentes políticos do Rio de Janeiro.
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