A oitiva de Daniel Vorcaro, marcada para 15 de setembro, foi remarcada para a semana que vem a pedido da defesa. O inquérito apura supostas irregularidades em cessões de crédito entre Banco Master e BRB; a defesa afirma não ter acesso completo aos autos.
O depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal, que estava marcado para esta terça-feira, 15 de setembro, foi oficialmente adiado para a semana que vem a pedido da defesa. A oitiva integra o inquérito que apura suspeitas de irregularidades em operações de cessão de créditos envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A estratégia dos advogados foi solicitar prazo adicional para examinar o conjunto de documentos reunidos na investigação. Segundo a equipe de defesa, ainda há incerteza sobre o acesso completo aos autos, o que inviabilizaria, na avaliação deles, a participação de Vorcaro sem uma análise detalhada dos elementos já coletados pela PF.
O inquérito ganhou dimensão depois que relatórios da Polícia Federal indicaram possíveis falhas de conformidade em transações bilionárias realizadas entre 2024 e 2025 por empresas ligadas ao Banco Master e pelo BRB. Esses relatórios foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso se encontra sob análise.
No centro da investigação estão acordos de cessão de créditos que, de acordo com os agentes federais, podem ter ocorrido fora dos parâmetros regulares do sistema financeiro. Ainda segundo os investigadores, algumas operações exibem estrutura «complexa» e indícios de quebra de requisitos de governança exigidos pelas normas do Banco Central.
O adiamento da oitiva não altera, por ora, o cronograma de diligências já em curso. Entre as frentes de trabalho, a PF mantém sob custódia o telefone celular de Vorcaro, apreendido durante fase anterior da operação. Em manifestação recente, a corporação afirmou ter condições técnicas de encaminhar extrações de dados a autoridades competentes, se houver determinação judicial.
Em despacho separado, o ministro Edson Fachin deu 24 horas para que a Polícia Federal envie informações detalhadas sobre o conteúdo do aparelho. A defesa de Vorcaro condiciona qualquer esclarecimento público à garantia de acesso irrestrito aos mesmos dados.
Especialistas consultados observam que a postergação de depoimentos é comum em casos de grande volume documental. Para eles, o movimento reflete a busca por evitar nulidades processuais, uma vez que qualquer restrição de acesso a provas pode ser questionada no STF.
Enquanto isso, o mercado financeiro acompanha de perto o desdobramento das apurações, já que uma eventual responsabilização de instituições pode impactar a confiança de investidores. Analistas lembram que as operações investigadas somam valores na casa dos bilhões de reais e envolvem produtos de crédito repassados a terceiros.
Não há decisão sobre novas datas de oitiva para outros envolvidos. A expectativa é de que a PF conclua as próximas etapas até o fim do mês, mas o cronograma dependerá da liberação dos autos à defesa de Vorcaro e de eventuais novos pedidos de diligências.
Apesar do adiamento, a corporação considera o caso prioritário, citando magnitude financeira e possível repercussão sistêmica. Fontes ligadas ao procedimento afirmam que diligências complementares, como análise de fluxos bancários e perícias contábeis, já foram solicitadas a órgãos de controle.
Até o momento, não há acusação formal nem oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. Caso a PF identifique elementos suficientes, um relatório conclusivo será encaminhado à Procuradoria-Geral para avaliação de eventual responsabilização criminal ou cível dos envolvidos. A defesa de Vorcaro reitera que todas as operações seguiram a legislação vigente e que pretende colaborar assim que tiver acesso integral ao inquérito.
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