Uma comitiva da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados embarcou HOJE, 24/06, para os Estados Unidos com a missão de trocar experiências e colher informações sobre o combate às facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O roteiro inclui reuniões no escritório central do FBI, em Washington, passagem por Austin, no Texas, e a possibilidade de estender a agenda a Los Angeles.
Integram a delegação o presidente do colegiado, coronel Meira (PL-PE), a delegada Ione (Avante-MG), o sargento Gonçalves (PL-RN), o deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ) e o deputado Capitão Alden (PL-BA). Eles devem permanecer aproximadamente uma semana em solo norte-americano, período no qual visitarão agências federais de inteligência, departamentos de polícia locais e centros de treinamento.
O principal objetivo é compreender como as autoridades dos EUA pretendem operacionalizar a recente decisão de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. O enquadramento abriu caminho para sanções financeiras, bloqueio de ativos e cooperação internacional focada em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e de armas.
De acordo com dados fornecidos aos deputados, 16 dos 50 Estados americanos já registram integrantes confirmados das facções brasileiras. A estrutura do PCC, por exemplo, é estimada em vários bilhões de dólares e se espalha por 28 países, o que eleva o grau de preocupação das agências de segurança estrangeiras.
“A decisão dos Estados Unidos não tem motivação política. Ela se explica pela presença real das facções no território americano e pelos prejuízos que causam à segurança de seus cidadãos”, comentou o deputado Capitão Alden, que integra o grupo de trabalho.
Além de mapear as ações em curso, a missão pretende observar ferramentas de rastreamento de remessas financeiras, técnicas de infiltração cibernética e protocolos de cooperação interestadual utilizados pelo FBI. Os parlamentares avaliarão também mecanismos de proteção de fronteiras e programas de prevenção à radicalização de jovens em periferias urbanas — estratégia vista como complementar às operações de repressão.
Ao regressar ao Brasil, a comissão informou que irá elaborar um relatório comparativo entre o modo de atuação das facções brasileiras e o de grupos terroristas internacionais reconhecidos, apontando possíveis ajustes na legislação nacional. A ideia é fornecer subsídios para projetos que endureçam penas contra líderes de organizações criminosas e ampliem a cooperação jurídica com outros países.
O cronograma prevê a apresentação desse documento em sessão pública da Câmara logo após o recesso parlamentar. Caso sejam identificadas lacunas na legislação brasileira, os parlamentares pretendem propor emendas ou projetos de lei já no segundo semestre.
Embora a viagem se concentre em segurança pública, a delegação sinaliza que também observará iniciativas de reabilitação de ex-detentos, projetos de inteligência artificial aplicados à investigação criminal e programas de integração de dados entre variadas forças de segurança — experiências que, se consideradas eficazes, poderão ser sugeridas aos governos estaduais e ao Ministério da Justiça.
A expectativa é de que a aproximação com o FBI e outras agências americanas reforce o fluxo de informações em tempo real sobre rotas de tráfico, movimentações financeiras suspeitas e conexões internacionais das facções, elevando a capacidade de resposta das autoridades brasileiras.
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