31 parlamentares democratas dos EUA pediram a Marco Rubio que o governo Trump não interfira na eleição presidencial brasileira de outubro de 2026. Dizem que isso ameaça a cooperação bilateral e a credibilidade do pleito.
Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (24), uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que o governo de Donald Trump se abstenha de qualquer ação que possa influenciar a sucessão presidencial brasileira marcada para outubro de 2026. No documento, os congressistas argumentaram que manobras em curso colocariam em risco a cooperação histórica entre os dois países e ameaçariam a credibilidade da segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental.
Segundo os signatários, haveria um “esforço coordenado” para favorecer o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, aliado político de Trump. Como exemplo, a carta menciona a adoção recente de tarifas contra exportações brasileiras. Os parlamentares afirmaram que a medida buscaria gerar pressão econômica sobre Brasília e, assim, criar ambiente mais favorável ao campo conservador.
Os democratas também criticaram a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relativos ao Brasil. Conforme o texto, Beattie já tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em março, mas teve a entrada negada pelas autoridades brasileiras.
“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que podem enfraquecer as instituições democráticas do país”, diz trecho da correspondência.
Os autores recordaram a postura adotada durante a eleição de 2022, quando o governo de Joe Biden expressou apoio público ao sistema eleitoral eletrônico brasileiro e reconheceu imediatamente o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
No documento, os parlamentares pedem explicações sobre decisões tomadas recentemente por Washington em relação a autoridades e organizações brasileiras. Eles querem saber, por exemplo, por qual motivo houve aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes e questionam iniciativas que, na visão deles, podem ser vistas como tentativa de influência externa em assuntos internos do Brasil.
Principais pontos que requerem esclarecimento
- Lei Magnitsky: motivos para aplicação da legislação ao ministro do STF Alexandre de Moraes;
- Classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais;
- Revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti.
Os congressistas solicitam ainda que o governo norte-americano garanta o reconhecimento imediato do resultado das urnas e mantenha relações diplomáticas normalizadas com quem quer que vença o pleito de outubro.
A preocupação com ingerências estrangeiras também apareceu no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas. Na última terça-feira (22), Lula defendeu a soberania dos países latino-americanos e citou episódios recentes que, segundo ele, demonstram tentativas de influência externa em processos eleitorais.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou Lula ao mencionar situações na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
Até o momento, o Departamento de Estado não havia se manifestado sobre as reivindicações apresentadas na carta. O pleito brasileiro de 2026 continua no radar internacional, e os parlamentares reforçaram que a estabilidade democrática da região depende da não interferência de potências externas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









