A derrota de 3 a 2 para a Espanha na decisão da Copa do Mundo, no último domingo, frustrou o sonho argentino do bicampeonato consecutivo e desencadeou uma série de questionamentos sobre o destino da seleção. O revés marcou o adeus de Lionel Messi ao principal palco do futebol e colocou o técnico Lionel Scaloni no centro das atenções, com contrato se encerrando em dezembro.
Messi, de 39 anos, já havia antecipado que o torneio disputado na América do Norte seria sua despedida mundialista. Mesmo em idade avançada para o esporte de elite, o craque manteve nível próximo ao que encantou o planeta nos anos de Barcelona. Os torcedores, porém, ainda não sabem se o capitão jogará nas Eliminatórias ou em amistosos daqui para frente.
“Não, não, isso não”, descartou o camisa 10 ao ser perguntado, antes da final, sobre participação na Copa de 2030, que terá a Argentina recebendo uma das partidas de abertura.
Nas redes sociais, ele valorizou a caminhada: “A melhor parte de todos esses anos não foram apenas os títulos, mas a jornada em si”. Resta saber se a jornada pela seleção termina agora ou se haverá partidas de despedida em 2027.
No banco, Scaloni, 48, colhe apoio da Associação do Futebol Argentino para renovar até 2030. Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da entidade, afirmou em dezembro que as conversas avançaram:
“Vai renovar certamente. Estamos conversando com o agente dele”
— declaração que mantém a esperança de continuidade de um ciclo vitorioso iniciado em 2018, responsável por Copa América 2021, Finalíssima 2022 e Mundial 2022.
Apesar do sucesso, o treinador terá de liderar uma renovação profunda. A média de idade de 29,1 anos na Copa recém-encerrada colocou a Argentina entre as seleções mais experientes das 48 participantes. Cinco titulares dificilmente estarão em 2030: Emiliano “Dibu” Martínez (33), Nicolás Tagliafico (33), Leandro Paredes (32), Rodrigo de Paul (32) e Lionel Messi (39).
Além deles, o zagueiro Nicolás Otamendi, 38, já indicou que pendurará as chuteiras pela equipe nacional. Entre reservas, Juan Musso (32) e Gerónimo Rulli (34) também devem sair do radar, abrindo espaço para uma nova geração.
Caso permaneça, Scaloni mira estruturar o elenco ao redor de Lisandro Martínez, Cristian Romero, Lautaro Martínez (28), Alexis Mac Allister (27), Julián Álvarez (26), Enzo Fernández e Thiago Almada (25). O técnico também acompanha de perto promessas como Franco Mastantuono (18), Joaquín Panichelli (23), Nico Paz e Valentín Barco (21), ausentes no torneio da América do Norte.
Com a próxima Copa América marcada para 2028, a AFA aposta que o período de dois anos será suficiente para integrar esses talentos. O objetivo é manter a identidade de posse de bola e criatividade que Scaloni consolidou, adicionando fôlego para suportar o calendário internacional cada vez mais intenso.
Enquanto isso, o torcedor argentino digere a despedida de seu maior ídolo, agradece por quase duas décadas de magia e observa atentamente cada passo do projeto que buscará devolver a Albiceleste ao topo sem Lionel Messi.
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