Vídeo eleitoral postado no Instagram traz a faixa da Legião Urbana como trilha. Giuliano Manfredini, que administra o legado de Renato Russo, deu autorização para o uso.
O ex-ministro José Dirceu (PT-SP), que concorre a uma cadeira na Câmara dos Deputados, passou a usar a canção “Fábrica”, do Legião Urbana, em material de campanha publicado neste domingo, 16/08. A autorização partiu de Giuliano Manfredini, produtor cultural e filho do cantor e compositor Renato Russo (1960-1996), detentor dos direitos sobre o catálogo da banda.
No Instagram, Dirceu divulgou um vídeo eleitoral que traz a música de fundo. A postagem apareceu em formato de colaboração com o perfil oficial que preserva a memória do vocalista da Legião. Horas depois, o candidato compartilhou outro vídeo, desta vez com depoimento de Manfredini explicando os motivos da liberação.
“Meu pai escreveu ‘Fábrica’ pensando no Brasil que conhecia. Um país de gente que trabalha duro e recebe pouco em troca, em dignidade, em direitos, em futuro. Essa música fala sobre o peso do trabalho alienado, mas também sobre a possibilidade de virar esse jogo. É uma canção sobre resistir e não aceitar que as coisas tenham que continuar como estão.”
O produtor cultural comentou ainda a trajetória política do ex-ministro. Segundo ele, Dirceu dedicou a vida à defesa da democracia e, caso seja eleito, pode atuar por mudanças estruturais no mercado de trabalho, na política tributária e na reindustrialização nacional.
“Acredito que ele vai lutar pelo fim da escala 6×1, por uma nova reforma tributária, pela reindustrialização do país e por devolver renda e dignidade à população. Isso tudo tem a ver com o que meu pai cantava. Renato Russo nunca ficou em cima do muro; cantava sobre gente comum, injustiça e a urgência de uma sociedade mais justa. É isso que está em jogo nesta eleição.”
Apesar da autorização, o uso das composições do Legião Urbana continua cercado de disputa judicial. Os ex-integrantes Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá travam há anos uma batalha pelo espólio da banda. Atualmente, o caso tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde se discute quem pode administrar, licenciar ou monetizar o repertório que marcou gerações desde a década de 1980.
Enquanto o impasse segue nos tribunais, Manfredini mantém o controle prático sobre as obras e, nesta campanha eleitoral, decidiu associar “Fábrica” ao discurso de Dirceu. A canção, lançada originalmente no álbum “Dois” (1986), retrata a rotina extenuante de operários e questiona a falta de perspectivas para trabalhadores brasileiros, temas que ganharam novo fôlego ao serem inseridos no debate político de 2026.
Dirceu não foi o primeiro candidato a buscar músicas do rock nacional para embalar sua mensagem. Em ciclos eleitorais anteriores, diversas campanhas recorreram a clássicos populares, cientes do apelo afetivo que essas faixas exercem sobre o eleitorado. A novidade, desta vez, está na escolha de uma canção de tom crítico para sublinhar propostas voltadas a direitos trabalhistas e desenvolvimento industrial.
Até o momento, não há registro público de contestação formal ao uso da música na Justiça Eleitoral. A legislação prevê que obras musicais podem ser veiculadas em campanhas desde que haja permissão expressa dos titulares dos direitos autorais, condição cumprida, segundo Manfredini, ao autorizar pessoalmente a inserção de “Fábrica” no material do petista.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









