O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu, nesta quarta-feira (8), a necessidade de ampliar a cooperação internacional para o combate ao crime organizado, frisando o respeito à soberania dos países. A manifestação ocorreu durante a quinta Cúpula dos Chefes de Polícia das Nações Unidas (UNCOPS 2026), realizada na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
O encontro reuniu ministros, comandantes de polícias e representantes de agências de segurança pública de todo o mundo. A agenda oficial discutiu mecanismos de fortalecimento da paz, da segurança e do desenvolvimento internacional, com foco na prevenção e no enfrentamento de grupos criminosos que atuam além das fronteiras nacionais.
“O crime não respeita fronteiras, e nenhum país pode combater o crime transnacional sozinho. O Brasil fez da integração internacional uma prioridade e considera que o crime organizado deve ser enfrentado por meio de uma abordagem equilibrada e abrangente, baseada em inteligência, estratégia e cooperação, com respeito ao Estado de Direito, à soberania das nações e aos direitos fundamentais”, afirmou Andrei Rodrigues.
Durante a sua participação, o dirigente brasileiro também abordou a recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo Rodrigues, a medida representa um “equívoco técnico” e não reflete a realidade jurídica adotada por autoridades brasileiras.
A posição do chefe da Polícia Federal reforça manifestações anteriores. Na última semana, após Washington anunciar sanções contra integrantes das facções, Rodrigues havia classificado a iniciativa como “tecnicamente um erro grosseiro”. Apesar das divergências, ele ressaltou que o país mantém diálogo com parceiros estrangeiros para ampliar o intercâmbio de informações e fortalecer operações conjuntas.
Mesmo em meio à controvérsia, a PF deflagrou operação contra alvos também investigados pelos EUA, ação que foi planejada em conjunto com órgãos federais e estaduais. O trabalho resultou em mandados de prisão e busca, além do bloqueio de ativos financeiros. Fontes ligadas à investigação explicam que as medidas estão alinhadas a acordos de cooperação judiciária já vigentes.
A UNCOPS 2026 destacou ainda a importância de projetos de capacitação, como o desenvolvimento de bases de dados integradas, uso de tecnologia de rastreamento de ativos e intercâmbio de boas práticas no patrulhamento de fronteiras. O Brasil apresentou experiências de policiamento comunitário na Amazônia Legal e iniciativas de combate ao tráfico de drogas e armas na faixa de fronteira.
Com a participação de dezenas de delegações, a cúpula encerrou os debates com a aprovação de um documento que reforça o compromisso dos países-membros em garantir o fluxo contínuo de informações estratégicas, respeitando os marcos legais internos e assegurando a autonomia de cada nação nas decisões de política criminal.
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