A corrida presidencial peruana ganhou um novo capítulo de tensão nesta terça-feira, 23/06. Roberto Sánchez, candidato da esquerda pelo Juntos por el Perú, declarou em coletiva de imprensa que não reconhecerá uma eventual vitória de Keiko Fujimori (Fuerza Popular) se a Junta Nacional Eleitoral (JNE) não anular os votos depositados por peruanos residentes no exterior.
Segundo Sánchez, mais de 300 mil eleitores votaram em 7 de junho em consulados que, por decisão do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), deixaram de digitalizar as atas imediatamente após a contagem. A mudança ocorreu em 29 de maio, a pedido do Ministério das Relações Exteriores, que relatou problemas técnicos no uso do aplicativo de digitalização durante o primeiro turno de 12 de abril.
“Se a Junta Nacional Eleitoral não resolver esta questão com a devida consideração pela segurança jurídica e pelas normas eleitorais, esta fraude terá sido consumada. Portanto, afirmamos que, nessas condições de violação das regras, não reconheceremos o governo da Sra. Fujimori”, afirmou Sánchez.
O pedido de anulação foi formalizado pelo time jurídico do candidato na segunda-feira. Sánchez sustenta que a ausência de digitalização abre brecha para violações da lei eleitoral e exige que a JNE reveja os votos externos, tradicionalmente favoráveis a Fujimori.
Enquanto isso, as missões de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia consideraram o segundo turno pacífico e sem irregularidades. O Ministério das Relações Exteriores do Peru negou qualquer interferência de seus funcionários, assegurando que “atos de manipulação, favorecimento político ou alteração de material eleitoral” não ocorreram.
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Os números divulgados pela ONPE, com 99,72% das urnas apuradas, mostram Fujimori na dianteira com 50,11% contra 49,89% de Sánchez. Sem os votos do exterior, o candidato de esquerda aparece ligeiramente à frente, o que eleva a pressão sobre o resultado final.
Fujimori manteve silêncio durante o dia, mas havia classificado, na noite anterior, as contestações de Sánchez e a marcha realizada por seus apoiadores em Lima na última sexta-feira como “ato político desesperado”.
Nos últimos cinco anos, o Peru assistiu a sucessivas denúncias de fraude eleitoral. Em 2021, a própria Fujimori pediu a anulação de 200 mil votos favoráveis a Pedro Castillo, que acabou declarado vencedor. Agora, a situação se inverte, e a candidata conservadora está perto da vitória em sua quarta tentativa de alcançar a presidência.
O eleito tomará posse em 28 de julho, sucedendo o presidente interino José María Balcázar, para um mandato de cinco anos. Com a disputa voto a voto e a ameaça de não reconhecimento, o país permanece em clima de incerteza enquanto aguarda o veredito da JNE.
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